Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
SEGURANÇA PÚBLICA E RELIGIÃO

Abilio Brunini sugere amputar mãos de ladrões de igrejas, recua e cobra fim da impunidade no Brasil; Veja vídeo

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), gerou controvérsia nesta quarta-feira (4) ao declarar que, se tivesse poder de decisão junto à Presidência e ao Congresso, criaria um projeto para cortar as mãos e os pés de quem furta fios de igrejas. A afirmação, feita durante um evento em uma paróquia católica da capital, foi […]

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), gerou controvérsia nesta quarta-feira (4) ao declarar que, se tivesse poder de decisão junto à Presidência e ao Congresso, criaria um projeto para cortar as mãos e os pés de quem furta fios de igrejas. A afirmação, feita durante um evento em uma paróquia católica da capital, foi posteriormente classificada por ele mesmo como um “exagero” de momento, embora tenha mantido a forte cobrança por punições mais rigorosas e criticado o sistema penal brasileiro. 

O gestor cuiabano adotou um tom inflamado ao discursar aos fiéis, indignado após ser informado sobre o furto da fiação elétrica do local. “Se eu pudesse decidir como presidente da República e o Congresso, eu mandava um projeto para cortar a mão e o pé de quem rouba fio de igreja”, disparou Abilio ao microfone.

Em sua justificativa, o prefeito chegou a citar práticas de grupos extremistas internacionais, como o Hamas e o Estado Islâmico, lembrando que essas organizações aplicam a amputação de membros para impedir que infratores voltem a cometer furtos. Contudo, após a repercussão, Brunini gravou um vídeo esclarecendo a situação e relativizando a própria proposta.

“E essa medida de cortar a mão e o pé é claro que é exagerada. É óbvio que não é o caminho que nós devemos adotar”, ponderou, atribuindo a declaração inicial a um “momento de raiva”. Apesar do recuo sobre as amputações, Abilio não abriu mão de sua crítica central: o endurecimento das leis. Ele argumentou que o Brasil sofre com a impunidade e defendeu que deveria existir uma pena “muito mais agravada” para crimes contra instituições religiosas cristãs (católicas e evangélicas), que têm sido alvo frequente de vandalismo em todo o país.

Críticas ao Judiciário e “Narcoestado” Além da indignação com os furtos, Brunini ampliou as críticas ao cenário nacional, afirmando de forma categórica que o Brasil “virou um narcoestado”. Segundo o prefeito, as leis parecem não existir para quem pratica ilegalidades severas, permitindo que facções atuem livremente cobrando taxas de comerciantes, além de praticarem tortura e sequestros.

Para o chefe do Executivo municipal, o sistema de Justiça atua com dois pesos e duas medidas, aplicando a lógica de que “aos inimigos do rei, a justiça; aos amigos, as benesses”. “As leis do Brasil são para perseguir opositores políticos. Mas para aqueles que praticam corrupção, atos de criminalidade e facções, a lei é mais branda e a democracia é relativa”, atacou.

No encerramento de sua reflexão, Abilio utilizou um paralelo bíblico para argumentar que punição e fé não são fatores excludentes. Ele relembrou o episódio dos dois ladrões crucificados ao lado de Jesus Cristo, destacando que apenas um deles foi salvo pela misericórdia divina, enquanto o outro foi “para o inferno”. Segundo o gestor, a justiça de Cristo representa, acima de tudo, um “ato de amor com a vítima, e não com aqueles que praticam a ilegalidade”.

O Contexto do Furto de Fios

A explosão de indignação de Abilio joga luz sobre um problema crônico na infraestrutura urbana de Cuiabá e de outras capitais brasileiras: o furto sistemático de fios de cobre. Movidos pelo alto valor de revenda no mercado clandestino de sucatas e reciclagem, dependentes químicos e criminosos ligados a facções rotineiramente deixam bairros, escolas, hospitais, praças e templos religiosos sem energia elétrica ou internet, gerando transtornos sociais graves e altos prejuízos financeiros aos cofres públicos e privados.

Veja vídeo:

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