Debate ao Senado é marcado por ataques ao STF, ofensiva contra ausentes e embate sobre feminicídio
Sem Mauro Mendes e Janaina Riva, postulantes polarizam em torno do impeachment de Alexandre de Moraes, questionam suplências com processos judiciais e disputam eleitorado conservador na TV Vila Real.

O debate entre os candidatos ao Senado por Mato Grosso, promovido pelo Grupo Gazeta de Comunicação nesta quinta-feira (17) pela TV Vila Real, transformou as ausências de líderes nas pesquisas e as pautas do Judiciário nos principais eixos de confronto. Sem a presença do ex-governador Mauro Mendes (União) e da deputada estadual Janaina Riva (MDB), os postulantes presentes direcionaram artilharia pesada contra os faltosos, duelaram pelo espólio eleitoral bolsonarista e travaram discussões acaloradas sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a violência de gênero.
Participaram do encontro os candidatos Carlos Fávaro (PSD), José Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB), Margareth Buzetti (PP) e Antônio Galvan (Avante).
Com as duas ausências da bancada de sete convidados, as regras precisaram ser adaptadas ao longo dos blocos para permitir a repetição de perguntas entre os presentes, acirrando os confrontos diretos.
Fogo cruzado sobre o STF e impeachment de Moraes
O futuro do Judiciário dominou boa parte dos blocos. Em uma postura incisiva, Carlos Fávaro afirmou abertamente que defende a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte e declarou que pediria o afastamento e a prisão de Alexandre de Moraes, cobrando uma ampla reforma institucional.
A declaração gerou reações imediatas da ala mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Medeiros e Galvan classificaram o posicionamento de Fávaro como oportunismo eleitoral, acusando o parlamentar de ser "melancia" (verde por fora e vermelho por dentro) e de votar alinhado às orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Galvan chegou a classificar a Suprema Corte como a "casa da mãe Joana".
Por sua vez, Pedro Taques defendeu mudanças estruturais no regimento interno do Senado e a fixação de mandato com tempo limite para os magistrados da mais alta Corte do país, sustentando que as regras atuais deixam os poderes engessados.
Ausentes viram alvo por "capivara gigante" e investigações
Mesmo fora do estúdio, Janaina Riva e Mauro Mendes estiveram no centro das acusações. A chapa da candidata do MDB foi duramente criticada por Medeiros e Taques, que apontaram a existência de investigações contra seus suplentes — classificados por Taques como donos de uma "capivara gigante". Medeiros e Galvan ainda associaram a emedebista diretamente a Alexandre de Moraes, alegando que ela seria a "candidata do ministro" e não votaria pelo seu impedimento. Em defesa, Fávaro sustentou que a trajetória conjunta em Brasília valida uma chapa honrada.
Já Mauro Mendes foi cobrado por Taques e Galvan por desdobramentos da Operação Heritage e pela condução de políticas de segurança pública. Ao ser interpelada sobre a atuação na CPI do Crime Organizado envolvendo o caso da Oi e consignados, Margareth Buzetti declarou que atuou a pedido do então governador, afirmando que se tratava de prerrogativa de gestão e rechaçando ser usada como intermediária de ataques ao chefe do Executivo.
Contraponto sobre feminicídio e violência contra a mulher
O combate à violência doméstica protagonizou um dos momentos mais tensos da transmissão. Antônio Galvan colocou em dúvida as estatísticas oficiais, negou a validade da tipificação de feminicídio e alegou que os números seriam manipulados pelo governo federal.
A fala foi rebatida com veemência por Margareth Buzetti, autora de matérias legislativas como a Lei do Vicaricídio. A senadora cobrou ações efetivas de prevenção em Mato Grosso e frisou que o rigor da lei deve alcançar qualquer agressor, sem distinção partidária ou pessoal. Taques também defendeu penas longas e rigorosas para o enfrentamento de crimes contra as mulheres, classificando a violência como inaceitável.
Segurança pública e infraestrutura
Na reta final, os candidatos abordaram demandas regionais. Medeiros e Taques defenderam endurecimento penal e maior rigor no combate a facções criminosas que atuam no interior do estado e na faixa de fronteira. Já Fávaro e Taques debateram a conclusão de obras estruturantes, como os avanços e custos de pedágio na Ferrovia Senador Vicente Vuolo, o término das obras do Hospital Universitário Júlio Müller e a proposta de implementação do Hospital do Coração em Mato Grosso.
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