Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
ELEIÇÕES 2026

A Alta do Dólar e a Desvalorização dos Ativos Brasileiros

A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 gerou uma onda imediata de reprecificação dos ativos brasileiros nos mercados internacionais. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) — consolidada com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário — frustrou parte dos investidores estrangeiros que haviam precificado […]

A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 gerou uma onda imediata de reprecificação dos ativos brasileiros nos mercados internacionais. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) — consolidada com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário — frustrou parte dos investidores estrangeiros que haviam precificado um resultado diferente, provocando quedas expressivas nas bolsas globais onde empresas brasileiras têm negociação e uma forte pressão sobre o câmbio G1.

Abaixo, detalhamos como a economia global e os mercados estrangeiros reagiram ao resultado:

  1. O Choque nas Bolsas Internacionais (EUA, Japão e Europa)

A reação mais rápida ocorreu no chamado after-hours e no pré-mercado das bolsas estrangeiras, funcionando como um termômetro antes mesmo da abertura da B3 no Brasil:

  • Estados Unidos: O EWZ, principal fundo de índice (ETF) que acompanha ações brasileiras negociadas em Nova York, registrou um forte derretimento logo após a confirmação matemática do resultado, com quedas que variaram de 19% a mais de 26% nas negociações iniciais Estadão. Grandes instituições financeiras e empresas com forte presença no país, como a XP e o Itaú Unibanco, chegaram a despencar ao menos 26% no início do pregão americano Metrópoles.
  • Japão: Na Ásia, o fundo equivalente que replica as ações brasileiras na bolsa de Tóquio recuou cerca de 13% a 15% na madrugada, configurando a maior perda em um único dia para o ativo desde 2008 Metrópoles.
  • Europa: Os mercados europeus também refletiram o temor fiscal. Ações de companhias estrangeiras com operações cruciais no Brasil, como o Banco Santander e a Telefónica, registraram recuos superiores a 5% Metrópoles.
  1. Disparada do Dólar no Câmbio Global

O mercado de moedas reagiu com forte busca por proteção (fuga para o dólar). Em Chicago, o dólar futuro chegou a saltar 10% nas operações noturnas. No mercado à vista, a moeda americana abriu a semana em forte escalada contra o real, disparando mais de 11% em poucas horas e chegando a superar a marca de R$ 5,58, pressionando o Banco Central a monitorar de perto os impactos da desvalorização cambial sobre a inflação Folha de S.Paulo.

  1. Geopolítica e Imprensa Internacional

Enquanto o mercado financeiro focou no risco fiscal e na dívida pública, a imprensa internacional e analistas geopolíticos deram outro tom à vitória. Agências globais de notícias, como Reuters, The Guardian e Associated Press, noticiaram o resultado como uma “virada histórica” inédita desde a redemocratização. Sob a ótica global, a eleição de Lula foi lida como um freio ao avanço de governos de direita na América Latina e um potencial revés para a influência dos Estados Unidos na região.

  1. Perspectivas e Dúvidas dos Investidores

Para o capital estrangeiro, a principal dúvida que assombra a economia pós-eleição é a sustentabilidade das contas públicas. Analistas de bancos internacionais apontam que grandes reformas estruturais parecem improváveis em um quarto mandato de Lula. Como consequência, o capital global tende a exigir prêmios de risco mais altos para investir no Brasil até que a equipe econômica apresente um pacote fiscal que o mercado internacional considere crível e sustentável para controlar a trajetória da dívida pública.

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