Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CASO ZAMPIERI

MPE quer prisão de advogados e investigados por integrar grupo ligado ao assassinato de Roberto Zampieri

CASO ZAMPIERI

O Ministério Público de Mato Grosso (MPE-MT) pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a decretação da prisão preventiva do advogado Peterson Venites Komel Júnior, de Salézia Maria Pereira de Oliveira e de Mario Jorge Bucater, investigados na 7ª fase da Operação Sisamnes, que apura o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em 2023, em Cuiabá.

O pedido foi feito por meio de recurso protocolado na última quarta-feira (24), com objetivo de reverter decisão da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, que manteve os investigados em liberdade sob medidas cautelares.

Na decisão, a Justiça entendeu que não há elementos novos que justifiquem a prisão preventiva, mesmo após o recebimento da denúncia.

Os investigados seguem com tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros denunciados, restrição de saída da comarca, retenção de passaportes, proibição de saída do país e recolhimento domiciliar noturno.

As medidas foram determinadas no âmbito de decisões relacionadas ao caso sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa de investigado pede retirada de tornozeleira

A defesa do advogado Peterson Venites Komel Júnior, representada pelo advogado Huendel Rolim, também atua no processo e pediu a retirada da tornozeleira eletrônica e a flexibilização das medidas cautelares.

Os advogados afirmam que o monitoramento é desproporcional, que o investigado colaborou com as investigações e que as restrições prejudicam o exercício da advocacia, configurando, segundo a defesa, antecipação de pena.

MPE rebate argumentos da defesa

O Ministério Público, no entanto, contestou os pedidos apresentados pela defesa. Para o órgão, o cumprimento das cautelares não elimina a necessidade da manutenção das medidas.

O MPE sustenta que o monitoramento eletrônico segue sendo essencial para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal, sendo uma alternativa mais branda que a prisão preventiva.

Investigação e denúncia

Os três investigados foram denunciados em maio deste ano, juntamente com o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo e a empresária Elenice Ballarotti Laurindo, apontados como supostos mandantes do crime, além de outros envolvidos.

Também foram denunciados Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva e Gilberto Louzada da Silva.

De acordo com a investigação, o grupo integraria uma organização criminosa voltada à prática de espionagem e homicídios sob encomenda.

Etevaldo de Vargas, coronel reformado do Exército, é apontado como financiador do crime. Hedilerson Barbosa teria atuado como intermediário, enquanto Antônio Gomes da Silva confessou ter sido o autor dos disparos que mataram Zampieri.

O crime

Roberto Zampieri foi morto com cerca de 10 tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, ao sair de seu escritório no bairro Bosque da Saúde.

O caso é investigado no âmbito da Operação Sisamnes.

Relacionadas