Homem que matou a própria filha de 11 anos em VG vira réu por feminicídio
Com o recebimento da denúncia, foi determinado o prosseguimento da ação penal. Claudinei permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça. O processo tramita sob sigilo.

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPMT) e tornou réu Claudinei da Silva, de 42 anos, acusado de matar a própria filha, Olga Beatriz Santos da Silva, de 11 anos, em junho deste ano, em Várzea Grande. O crime ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar e, segundo a investigação, a menina morreu após ser estrangulada pelo pai.
Com o recebimento da denúncia, foi determinado o prosseguimento da ação penal. Claudinei permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça. O processo tramita sob sigilo.
Uma das linhas apontadas pela investigação para a motivação do crime está relacionada a uma suposta conversa entre Olga e um menino. Segundo a Polícia Civil, Claudinei teria encontrado a troca de mensagens e, a partir disso, iniciado uma discussão com a filha. A versão chegou a ser apresentada pelo próprio investigado durante o início das apurações.
O delegado Nilson Farias, responsável pela prisão de Claudinei, afirmou que a investigação identificou no comportamento do suspeito uma suposta relação de posse em relação à filha.
“A visão que ele tinha da filha era uma visão de posse, então ele a via como posse dele. Então, quando ele viu uma conversa dela com outra pessoa, o que ele entendeu? Que ele estava perdendo.”
Segundo Farias, esse tipo de comportamento estaria relacionado à percepção de que o homem teria controle sobre a filha.
“Essa mentalidade machista tem que mudar”, afirmou o delegado.
A delegada Jéssica Assis, que preside as investigações, também afirmou que Olga teria sido punida por expressar seus primeiros interesses afetivos.
“Um pai que mata uma filha porque a filha expressa os seus primeiros desejos amorosos, porque ela não tem autonomia de vontade, ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade”, declarou.
Família contesta versão
A versão apresentada pela Polícia Civil, porém, é contestada pela defesa da mãe de Olga. Ao Olhar Direto, a advogada informou que a menina sequer tinha celular próprio e que ainda brincava de boneca.
A defesa também afirmou que Olga tinha amigas mais novas, com idades entre 8 e 9 anos, e questiona, portanto, a interpretação de que a menina mantinha uma relação amorosa ou teria autonomia para manter conversas dessa natureza em redes sociais.
A informação de que Olga não possuía celular próprio já havia sido apresentada durante as primeiras fases da investigação. Na ocasião, a Polícia Civil apreendeu o aparelho de Claudinei e solicitou a extração dos dados para verificar se a adolescente teria utilizado o telefone do pai para conversar com um garoto.
O laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou asfixia mecânica como causa da morte da menina. A investigação policial foi concluída com o indiciamento de Claudinei por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.
Com a decisão judicial que recebeu a denúncia, Claudinei passa oficialmente à condição de réu e deverá responder à ação penal. A defesa terá prazo para apresentar resposta à acusação.
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