Exportações recordes elevam demanda por algodão e reduzem estoques da safra em Mato Grosso

O mercado do algodão em Mato Grosso segue sustentado pelo forte ritmo das exportações. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a estimativa de demanda para a safra 2024/25 foi revisada para cima em junho, refletindo principalmente o desempenho histórico dos embarques registrados nos últimos meses.
Segundo o levantamento, a demanda total da temporada foi projetada em 2,73 milhões de toneladas, aumento de 2,75% em comparação com a estimativa divulgada em maio. O principal fator por trás da revisão é o avanço das exportações, que devem alcançar 2,08 milhões de toneladas, volume 13,67% superior ao registrado na safra 2023/24.
O resultado reforça a posição de Mato Grosso como principal produtor nacional da fibra e evidencia a forte presença do algodão brasileiro no mercado internacional, especialmente em um cenário de crescente competitividade da produção nacional.
Com a demanda mais aquecida, o Imea reduziu a projeção dos estoques finais da safra 2024/25. O volume remanescente ao término do ciclo foi estimado em 857,93 mil toneladas, queda de 7,86% em relação à previsão anterior.
Apesar da redução, os números mostram que boa parte da produção já possui destino definido. Do total projetado para os estoques finais, cerca de 834,74 mil toneladas já foram comercializadas, mas deverão ser embarcadas e entregues ao longo do próximo ciclo comercial.
Nova safra mantém perspectiva de forte consumo
Para a safra 2025/26, o instituto manteve expectativa de demanda robusta. O consumo total foi estimado em 2,73 milhões de toneladas, praticamente estável em relação à temporada anterior, com leve recuo de apenas 0,05%.
A pequena variação negativa está associada à expectativa de menor consumo interestadual, mas sem comprometer o equilíbrio entre oferta e demanda do mercado.
Já os estoques finais da próxima safra foram projetados em 698,60 mil toneladas, volume inferior ao previsto para a temporada atual. Desse total, apenas 19,91 mil toneladas deverão permanecer sem comercialização ao final do ciclo, indicando forte capacidade de absorção da produção pelo mercado.
Bolsa de Nova York pressiona preços da fibra
Enquanto os fundamentos de oferta e demanda permanecem favoráveis, o mercado internacional registrou pressão sobre as cotações da pluma na última semana.
O contrato de julho de 2026 negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures) apresentou desvalorização de 4,75%, encerrando o período com média de 76,77 centavos de dólar por libra-peso.
A queda internacional também influenciou os indicadores domésticos. A paridade de julho registrou retração de 0,97%, enquanto a paridade para dezembro de 2026 recuou 2,72%, refletindo principalmente o movimento negativo observado no mercado externo.
Apesar desse cenário, o preço da pluma medido pelo indicador Cepea apresentou leve valorização semanal de 0,40%, sendo cotado a R$ 423,28 por libra-peso, demonstrando relativa sustentação do mercado brasileiro diante da demanda aquecida.
Subprodutos sentem enfraquecimento da demanda
Entre os derivados do algodão, o caroço disponível registrou queda de 0,41% na comparação semanal, sendo negociado a R$ 134,49 por arroba.
De acordo com o Imea, mesmo em um período tradicionalmente marcado por menor oferta, a procura mais fraca pelo produto tem pressionado os preços no estado.
Já a torta de algodão foi cotada a R$ 929,50 por tonelada, mantendo-se como importante alternativa para alimentação animal, especialmente em sistemas de confinamento e suplementação pecuária.
Cenário segue positivo para o setor
A combinação entre exportações aquecidas, elevado volume já comercializado e redução dos estoques projetados reforça a perspectiva de sustentação para a cadeia algodoeira mato-grossense.
Embora a recente queda das cotações na Bolsa de Nova York gere atenção entre produtores e tradings, os fundamentos do mercado continuam favoráveis. A forte demanda internacional pela fibra brasileira e o elevado nível de comercialização antecipada da produção indicam que Mato Grosso deve seguir registrando um dos ciclos mais robustos da história recente do algodão.
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