A soja em Mato Grosso alcançou o maior valor de 2026 na última semana, com a saca sendo negociada, em média, a R$ 106,73, impulsionada pela valorização das cotações internacionais e pelo avanço dos prêmios de exportação nos portos brasileiros. O movimento ocorre em meio às expectativas de aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos e ao fortalecimento da demanda global pela oleaginosa.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) apontam que o preço da soja no Estado avançou 0,87% em relação à semana anterior. No mercado internacional, os contratos da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago também registraram alta, de 0,88%, encerrando o período cotados a US$ 11,26 por bushel.
Outro fator que sustentou a valorização foi o comportamento dos prêmios de exportação. O chamado Prêmio Santos — indicador que mede a diferença entre as cotações internacionais e os preços praticados nos portos brasileiros — subiu 10,84% na semana, alcançando média de 103,75 centavos de dólar por bushel. O avanço reflete o aumento da procura por grãos nos terminais de exportação e reforça a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.
A recuperação dos preços ocorre em um momento estratégico para o setor. Mato Grosso responde pela maior produção de soja do país e tem papel decisivo no abastecimento dos mercados interno e externo. Além disso, a demanda chinesa continua sendo um dos principais fatores de sustentação das exportações brasileiras, influenciando diretamente a formação dos preços pagos ao produtor.
Enquanto o grão registrou valorização, os derivados seguiram trajetória diferente. No mercado internacional, o farelo de soja apresentou alta de 0,61%, sendo negociado a US$ 303,59 por tonelada. Já o óleo de soja acumulou queda de 3,25%, encerrando a semana cotado a US$ 72,28 por libra-peso.
A pressão sobre o óleo foi influenciada pelo mercado energético global. A queda de 12,35% nas cotações do petróleo Brent, após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã e a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, reduziu a preocupação com o abastecimento mundial da commodity. Como o óleo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, o movimento acabou pressionando os preços do produto no mercado internacional.
Em Mato Grosso, os coprodutos também encerraram a semana em baixa. O farelo de soja recuou 0,70%, sendo cotado em média a R$ 1.535 por tonelada, enquanto o óleo de soja registrou queda de 0,20%, fechando a R$ 5.871,60 por tonelada.
Outro fator que limitou ganhos mais expressivos foi o comportamento do câmbio. O dólar apresentou desvalorização de 0,99% frente ao real, encerrando o período em R$ 5,10. A queda da moeda norte-americana reduz a competitividade das exportações e tende a pressionar os preços internos dos derivados.
Apesar desse cenário, a combinação entre a alta das cotações em Chicago, o fortalecimento dos prêmios portuários e a expectativa de demanda aquecida no mercado internacional manteve a soja em trajetória de valorização. Para os produtores mato-grossenses, o resultado representa o melhor momento de preços do ano até agora, em um mercado que segue atento ao comportamento da China, do câmbio e das tensões geopolíticas que influenciam o comércio global de commodities agrícolas.