Além do Agro: Pequenos negócios batem recorde e puxam a economia de Mato Grosso
Com desemprego na casa dos 2,4%, micro e pequenas empresas são responsáveis por 7 em cada 10 novos postos de trabalho no estado; varejo e setor de tecnologia também ganham força.

CUIABÁ, MT, Historicamente reconhecido como o gigante do agronegócio brasileiro, Mato Grosso consolida em 2026 uma nova vocação econômica: a força do varejo e do empreendedorismo urbano. Distante das lavouras, são as portas abertas no comércio e nos serviços que estão garantindo o aquecimento da economia local e levando o estado a um cenário de quase pleno emprego.
Dados recentes mostram que o mercado de trabalho mato-grossense respira aliviado, ostentando uma taxa de desocupação de apenas 2,4%, uma das menores do país. O grande motor dessa marca histórica não são as grandes corporações, mas sim as micro e pequenas empresas (MPEs), que responderam por impressionantes 69,3% dos empregos formais gerados no último ano.
Empreendedorismo e Varejo em Alta A confiança na economia local tem se refletido diretamente na abertura de novos CNPJs. Entre janeiro e agosto deste ano, o número de novos pequenos negócios em Mato Grosso cresceu 21,2%, superando com folga a média nacional, que ficou em 14,3%.
Esse volume de novas empresas fortalece um setor comercial que já lidera no Centro-Oeste. O comércio de Mato Grosso movimenta atualmente uma receita bruta de revenda de mercadorias na ordem de R$354 bilhões. Para dar suporte a esse volume financeiro, o sistema de cooperativismo de crédito expandiu sua capilaridade e hoje está presente em 95% dos municípios do estado, facilitando o acesso ao crédito para o pequeno comerciante que deseja expandir.
Avanço na Tecnologia Além do comércio tradicional, o estado começa a atrair os olhares de investidores focados na nova economia. A região Centro-Oeste foi alvo recente de um aporte de R$100 milhões destinado a financiar empresas de inovação e tecnologia. O movimento indica que Mato Grosso prepara terreno para modernizar sua cadeia produtiva, integrando soluções tecnológicas tanto para o agronegócio quanto para os serviços urbanos.
Desafios no Horizonte Apesar do cenário de prosperidade, o setor produtivo e as entidades ligadas ao comércio, como a Federação do Comércio (Fecomércio-MT), mantêm estado de alerta. A preocupação central gira em torno dos custos operacionais e da inflação local. Debates em nível nacional sobre a redução da jornada de trabalho (como o fim da escala 6×1) são vistos com cautela pelos empresários locais, que temem os impactos na manutenção desse alto volume de contratações.
Ainda assim, os números comprovam: a engrenagem econômica de Mato Grosso hoje gira não apenas no campo, mas fortemente nas ruas, balcões e polos de inovação de suas cidades.
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