Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Argentina desafia proibição da Fifa e provoca Inglaterra com faixa sobre as Ilhas Malvinas após vaga na final

Mensagem exibida pelos jogadores reacendeu disputa histórica entre argentinos e britânicos e pode levar a investigação por manifestação política durante a Copa do Mundo.

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A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo de 2026 foi marcada não apenas pela virada por 2 a 1 sobre a Inglaterra, mas também por uma nova controvérsia envolvendo política e futebol. Logo após o apito final, jogadores argentinos comemoraram no gramado do Estádio de Atlanta exibindo uma faixa com a frase "Las Malvinas son Argentinas" ("As Malvinas são argentinas"), em aparente descumprimento das regras da Fifa que proíbem manifestações de caráter político durante a competição.

Nas imagens da comemoração aparecem atletas como Lionel Messi, Lisandro Martínez, Cristian Romero e Giuliano Simeone próximos à faixa, que posteriormente foi levada para a arquibancada pelos torcedores. Antes da partida, a Fifa havia determinado que fossem barradas bandeiras, faixas ou qualquer outro material com referência à Guerra das Malvinas ou mensagens consideradas provocativas entre argentinos e ingleses.

O episódio provocou reação imediata no Reino Unido. Integrantes do governo britânico defenderam que a Fifa apure o caso, argumentando que a entidade mantém regras claras sobre a neutralidade política em competições internacionais. Um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que cabe à Fifa decidir sobre eventuais sanções, enquanto o ministro Peter Kyle classificou a atitude como inadequada para um evento esportivo.

Disputa histórica

A frase exibida pelos argentinos faz referência à disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos. O arquipélago, localizado no Atlântico Sul, é administrado pelo Reino Unido desde 1833, mas continua sendo reivindicado pela Argentina.

A tensão atingiu seu ponto máximo em 1982, quando os dois países travaram a Guerra das Malvinas, conflito que durou 74 dias, entre 2 de abril e 14 de junho daquele ano. Ao todo, morreram 907 pessoas: 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis que viviam nas ilhas. Ao final da guerra, o Reino Unido manteve o controle do território, situação que permanece até hoje.

Embora o conflito tenha terminado há mais de quatro décadas, a reivindicação da soberania das ilhas continua sendo uma política de Estado da Argentina e um tema sensível nas relações diplomáticas entre os dois países. A rivalidade também ganhou espaço no futebol, especialmente após confrontos históricos em Copas do Mundo, como a vitória argentina nas quartas de final de 1986, marcada pelo gol da "Mão de Deus", de Diego Maradona.

Fifa pode abrir investigação

O Código de Conduta da Fifa proíbe a exibição de bandeiras, faixas, cartazes ou qualquer outro material com conteúdo político, religioso ou ofensivo dentro dos estádios da Copa do Mundo. Por isso, a manifestação dos jogadores argentinos poderá ser analisada pela entidade, embora, até o momento, não tenha sido anunciado nenhum procedimento disciplinar oficial.

A polêmica ocorre às vésperas da decisão do Mundial, quando a Argentina buscará defender o título conquistado em 2022 diante da Espanha. Enquanto isso, a repercussão da faixa ultrapassou o campo esportivo e reacendeu um debate diplomático que permanece aberto há mais de 40 anos.

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