Cabo Daciolo volta a questionar identidade de Lula: “Não acredito que esse cara seja o Lula”

O ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que não acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja a pessoa que aparece em compromissos oficiais pelo país. A declaração foi feita durante participação no Fala Glauber Podcast, exibido na quinta-feira (2).
Sem apresentar qualquer evidência, Daciolo afirmou que o presidente Lula da Silva não seria o verdadeiro Lula, seria um sósia. O ex-parlamentar também associou o assassinato de três médicos, ocorrido no Rio de Janeiro em 2023, à mesma narrativa e disse que pretende solicitar um exame de DNA do presidente.
“Eu não acredito que esse camarada que está andando pelo Brasil todo falando que é o Lula seja o Lula”, afirmou. Na sequência, reforçou a declaração ao dizer: “Eu não acredito que esse cara seja o Lula, simples assim”.
As declarações rapidamente repercutiram nas redes sociais, mas não são sustentadas por fatos conhecidos nem por qualquer investigação oficial.
Durante a entrevista, Cabo Daciolo faz referência a uma narrativa que circula nas redes sociais desde novembro de 2022, quando o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva passou por atendimento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Na ocasião, Lula passou por exames de rotina no Hospital Sírio-Libanês e, dias depois, foi submetido a um procedimento para retirar uma lesão benigna em uma das cordas vocais. Após a cirurgia, recebeu alta no dia seguinte.
Menos de um ano depois, em setembro de 2023, Lula voltou a ser internado no Hospital Sírio-Libanês, desta vez para realizar uma cirurgia programada no quadril. O presidente foi submetido a uma artroplastia total do quadril direito para tratar um quadro de artrose que provocava dores e limitações de movimento. Durante a mesma internação, a equipe médica também realizou uma blefaroplastia, procedimento estético nas pálpebras. Segundo os boletins divulgados pelo hospital, as cirurgias ocorreram sem complicações, Lula iniciou sessões de fisioterapia no dia seguinte e recebeu alta apresentando boa recuperação, deixando a unidade caminhando com auxílio da equipe médica.
Cerca de duas semanas depois, em outubro de 2023, o assassinato de três médicos do Sírio-Libanês em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, passou a ser associado por publicações nas redes sociais à internação de Lula. As postagens afirmavam, sem apresentar provas, que os profissionais teriam participado do atendimento do presidente. No entanto, não há comprovação de que os médicos tenham integrado a equipe responsável pelos procedimentos realizados em Lula ou qualquer ligação entre o crime e a internação presidencial.
Até o momento, não existe evidência pública de que o presidente Lula tenha sido substituído por um sósia ou "clone", como sustenta o ex-parlamentar. A tese circula em grupos nas redes sociais desde o período eleitoral de 2022 e já foi alvo de diversas checagens, que apontaram ausência de qualquer elemento que comprove a narrativa.
Da mesma forma, a tentativa de relacionar o assassinato de três médicos, ocorrido na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, às alegações envolvendo o presidente não encontra respaldo nas investigações conduzidas pelas autoridades. A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que o crime ocorreu por um erro de identificação ligado à disputa entre organizações criminosas, sem qualquer vínculo com o presidente da República ou com atendimentos médicos prestados a Lula.
Outras teorias
A professora e influenciadora Barbara Oliveira, que se apresenta nas redes sociais como pré-candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, também reacendeu a teria nas suas redes sociais. Em vídeo ela comenta os fatos envolvendo o presidente Lula.
Barbara menciona uma suposta ação protocolada por um advogado no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual seriam feitas alegações sobre uma “rede de clonagem” e uma teoria de que Lula teria sido substituído após uma cirurgia realizada em 2022. Não há qualquer comprovação ou evidência pública que confirme essas afirmações, que já foram desmentidas por checagens independentes.
Durante a gravação, a pré-candidata também levanta um cenário hipotético ao afirmar que, caso fosse verdadeira a alegação de que Lula teria morrido em 2022, o segundo colocado na eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL), assumiria a Presidência da República. A afirmação, porém, não está de acordo com a legislação brasileira.
Pela Constituição Federal, em caso de morte ou impedimento definitivo do presidente eleito ou empossado, a sucessão ocorre pelo vice-presidente eleito na mesma chapa. Na eleição de 2022, o substituto constitucional seria Geraldo Alckmin (PSB), eleito vice-presidente na chapa de Lula. O segundo colocado no pleito presidencial não possui previsão legal de assumir automaticamente o cargo.
As declarações de Daciolo reacenderam nas redes sociais o debate sobre a disseminação de informações sem comprovação durante o período de intensificação das discussões políticas que antecedem as eleições de 2026.
Veja vídeo:
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