Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
OPERAÇÃO SANGRIA

Conheça a família de pastores investigada por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho em MT

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Os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, além da filha do casal, Rhavenna Barcelos de Almeida, são os principais alvos da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (15), em Mato Grosso. Conhecida por atuar em projetos de assistência religiosa dentro do sistema prisional, a família passou a ser investigada por suspeita de manter uma relação com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho que, segundo a polícia, ia muito além da evangelização.

Rhavenna, que trabalha como designer de sobrancelhas, teve a prisão preventiva decretada durante a operação. Conforme as investigações, ela mantinha um relacionamento amoroso com um dos líderes da organização criminosa. Além da ordem de prisão, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados e determinou a suspensão temporária do ingresso da família em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

Um dos endereços alvo das buscas foi o estabelecimento A Burguesinha dos Looks, localizado no bairro Pedregal.

As apurações tiveram início após uma denúncia anônima informar que integrantes da mesma família utilizavam um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE). A suspeita inicial era de que o grupo aproveitava o acesso à unidade para entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a lideranças custodiadas no raio de segurança máxima.

Segundo a Polícia Civil, apesar de a suposta entrega de celulares ainda não ter sido comprovada, o avanço das investigações revelou um cenário mais amplo. A análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça reuniu fotografias, vídeos, conversas e movimentações financeiras que, na avaliação dos investigadores, demonstram que a relação da família com integrantes da facção extrapolava a assistência religiosa.

De acordo com a investigação, foram identificadas conversas telefônicas entre os investigados e presos, além da intermediação de mensagens entre detentos e pessoas em liberdade.

A Polícia Civil afirma ainda que o grupo mantinha contato frequente com conselheiros do Comando Vermelho presos e foragidos, além de compartilhar informações relacionadas ao ambiente prisional.

Outro ponto apurado pelos investigadores envolve a movimentação financeira da família. Segundo a Polícia Civil, integrantes do núcleo familiar recebiam valores atribuídos a presos e lideranças da organização criminosa. O dinheiro, conforme a investigação, era movimentado por meio de contas de familiares e terceiros, utilizando depósitos fracionados, triangulação financeira, depósitos em espécie e sucessivos repasses, prática que teria como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos.

Viagens ao Rio e registros com armas

As investigações também identificaram viagens frequentes da família a uma comunidade do Rio de Janeiro dominada pelo Comando Vermelho.

Conforme a Polícia Civil, durante essas visitas os investigados estiveram em uma residência utilizada por um criminoso foragido. No local foram produzidas fotografias e vídeos que mostram integrantes do grupo ao lado de homens armados e de lideranças da facção.

Ainda segundo os investigadores, os registros mostram fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores, alguns personalizados com referências à organização criminosa.

A polícia afirma que também encontrou imagens de crianças portando armamentos personalizados e fotografias dos próprios investigados manipulando diferentes armas de fogo.

As videochamadas obtidas durante a investigação também passaram a integrar o conjunto de provas reunido pela Polícia Civil.

Segundo o inquérito, mulheres ligadas ao projeto religioso mantinham contato direto com lideranças foragidas e pessoas armadas. Em um dos registros analisados pelos investigadores, um conselheiro da facção participa de uma chamada de vídeo enquanto um comparsa aparece efetuando disparos de fuzil em uma comunidade do Rio de Janeiro.

Operação

A Operação Fariseus foi deflagrada nesta quinta-feira (15) para cumprir mandados judiciais contra os investigados. A Polícia Civil apura a suspeita de que a estrutura de um projeto religioso tenha sido utilizada para facilitar a comunicação, prestar apoio logístico e movimentar recursos em benefício de integrantes do Comando Vermelho.

As investigações continuam para apurar a extensão da atuação do grupo e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

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