Consórcio criminoso investiu milhões em ataque à Brinks em Confresa; imagens revelam execução do plano

Novos detalhes divulgados pela Polícia Civil nesta quinta-feira (9) mostram detalhes do ataque à empresa de transporte de valores Brinks, ocorrido em abril de 2023, em Confresa (a 1.8km de Cuiabá). As informações integram a terceira fase da Operação Pentágono e trazem à tona a estrutura financeira e operacional por trás da ação criminosa.
De acordo com o delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gustavo Belão, o crime foi financiado por um consórcio formado por mais de 30 criminosos de diferentes estados. O grupo teria investido pelo menos R$ 3,5 milhões para viabilizar o chamado “mega-roubo”, incluindo a compra de veículos — muitos deles posteriormente destruídos durante a ação.
As investigações apontam que a organização contava com integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e era liderada por Francivaldo Moreira Pontes, conhecido como “Velho Ban”. Ele morreu em novembro de 2024, durante confronto com forças de segurança em uma área isolada no estado do Pará, onde estava escondido.
As imagens divulgadas mostram que os criminosos saíram de São Paulo com destino ao Pará e, posteriormente, seguiram até Confresa em veículos blindados. Ao chegarem à cidade, executaram uma série de ataques simultâneos com o objetivo de neutralizar a resposta policial.
Durante cerca de duas horas, o grupo promoveu o chamado “domínio de cidades”, atacando bases das polícias Militar e Civil, incendiando veículos e prédios públicos e espalhando pânico entre os moradores. Em diversos pontos, houve disparos de armas de fogo e bloqueios de vias estratégicas.
Apesar do forte aparato e do planejamento, os criminosos não conseguiram acessar o cofre da empresa, onde acreditavam haver cerca de R$ 60 milhões. O valor real, segundo o delegado, nunca foi confirmado ao longo das investigações por questões de segurança.
Reféns, fuga e perseguição
Dentro da empresa, funcionários foram feitos reféns e obrigados a colaborar com a ação sob ameaça. Após a tentativa frustrada, o grupo fugiu em direção a áreas de mata da região, dando início a uma das maiores operações de busca já realizadas no estado.
A perseguição se estendeu por aproximadamente 40 dias e resultou na morte de 18 suspeitos em confrontos com forças de segurança, incluindo equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Outros integrantes foram presos — alguns já julgados e condenados, com penas médias de 17 anos de prisão.
Durante as operações, também foram apreendidos armamentos de alto poder, como fuzis AK-47 e grande quantidade de munições.
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