Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ACIDENTE AÉREO

Empresário é identificado entre vítimas de queda de avião em MT; polícia investiga possível tráfico de drogas

CIDENTE AVIÃO

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) identificou Vanderlei Sattler, de 65 anos, como uma das três vítimas da queda de um avião ocorrida no dia 10 de setembro, em uma região rural de Água Boa (a 730 quilômetros de Cuiabá). Segundo a investigação, Vanderlei era o proprietário da aeronave.

A identificação foi realizada por meio de papiloscopia, técnica baseada na análise das impressões digitais. Natural de Montenegro (RS), Vanderlei era sócio-administrador de uma empresa de assessoria aeronáutica. A família já entrou em contato com a Politec e solicitou a liberação dos restos mortais.

As outras duas vítimas ainda não foram oficialmente identificadas, mas a perícia aponta que se tratam de dois cidadãos paraguaios. Os corpos foram encaminhados para a Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, em Cuiabá, onde passam pelos procedimentos necessários para a identificação definitiva.

A queda é investigada pela Polícia Civil, que apura se a aeronave, um Cessna 402, estaria sendo utilizada em uma operação clandestina relacionada ao tráfico internacional de drogas. O avião teria decolado de Goiânia (GO) com possível destino à Venezuela.

Segundo o delegado Carlos Alberto Silva, a suspeita sobre o destino da viagem foi reforçada por informações fornecidas por familiares de um dos ocupantes. A polícia também analisou imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque e trabalha na reconstrução do itinerário da aeronave.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é que o avião teria deixado Goiânia sem autorização de voo, documentação regular ou plano de voo aprovado. A aeronave também não possuía registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), conforme as informações levantadas pela investigação.

O histórico do avião também entrou no foco da apuração. Segundo a Polícia Civil, a mesma aeronave foi apreendida pela Polícia Federal em 2017, em Goiânia, com 67 quilos de cocaína. Cerca de quatro meses antes do acidente, o avião teria sido vendido em leilão público realizado pela Justiça.

A polícia investiga ainda as circunstâncias da aquisição da aeronave por Vanderlei. Conforme o delegado, o valor pago teria sido elevado e parte da negociação teria ocorrido em dinheiro, com o restante quitado por meio de um veículo de alto valor. O automóvel, segundo a investigação, já havia pertencido a uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.

Além disso, um dos ocupantes paraguaios tinha, segundo a polícia, pendências judiciais no país de origem e restrição para deixar o território paraguaio.

As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias da queda, a origem e o destino do voo e se a aeronave estava, de fato, sendo utilizada em uma operação relacionada ao tráfico internacional de drogas. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais e dos trabalhos de identificação das outras duas vítimas.

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