Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Esforços de resgate em Tibete e Nepal avançam sob risco de novos enchentes e deslizamentos de terra na região; vídeos

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Enquanto equipes de resgate e forças de segurança no Nepal e na China correm contra o tempo para localizar sobreviventes e levar ajuda urgente por via aérea e terrestre aos vales do Himalaia, que foram varridos por uma torrente de água, lama e destroços na quarta-feira, as autoridades alertam nesta quinta-feira para o risco de novas ondas de enchente e deslizamento de terra na região afetada. Com 362 mortes confirmadas no Nepal e três na China, além de 1,5 mil desaparecidos nos dois países somados, o risco de uma nova catástrofe se agrava com a identificação de um lago de água represada que pode transbordar e subir o nível dos rios novamente, agravando a situação no solo. Há expectativa de chuva nos próximos dias.

Em um cenário com um número relevante de potenciais vítimas soterradas, o terreno montanhoso da cordilheira do Himalaia seria um desafio por si só para as equipes de resgate, que costumeiramente trabalham com uma "janela de ouro" de 48 a 72 horas para resgate de vítimas com vida. A destruição de infraestrutura provocada pela torrente de água do dia anterior, que ainda está represada em alguns pontos da fronteira, é um fator que aumenta ainda mais o risco.

Em uma entrevista à rede britânica BBC, o diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, afirmou que os especialistas acompanham o risco de que hajam novos deslizamentos, chamando de "segunda e terceira ondas". Embora a avaliação não seja conclusiva, um trabalho de monitoramento continua sendo realizado pelos especialistas, com a previsão de chuva para os próximos três dias sendo um fator central.

Especialistas apontam que a catástrofe registrada na quarta-feira foi provocada por uma avalanche, que ao transferir sua energia cinética ao rio, provocou a onda de água e lama que varreu os dois países e avançou por quilômetros em território nepalês. Imagens transmitidas pela emissora estatal chinesa CCTV, porém, mostraram que além do dano imediato causado pelo deslizamento inicial, ficaram represados estimados 2 milhões de metros cúbicos de água perto de Porto Gyirong. O escoamento de mais água para a zona criaria um risco real de transbordamento, arriscando um aumento do volume dos rios abaixo.

Mesmo com os riscos iminentes, os trabalhos de busca e resgate continuam acontecendo nos dois lados da fronteira, com militares, equipes especializadas e reforço internacional atuando em tentativas de localização das cerca de 1,5 mil pessoas dadas como desaparecidas nos dois países, sendo 700 delas turistas estrangeiros. Em um balanço recente na tarde desta quinta (manhã em Brasília), as autoridades nepalesas afirmaram que 500 pessoas haviam sido resgatadas com vida.

Em Dhunche, uma das cidades mais atingidas, os militares nepaleses mobilizaram cerca de 25 helicópteros — pertencentes tanto ao Exército quanto a operadores privados — para resgatar moradores ilhados ou feridos. O Conselho de Turismo do Nepal informou que 27 turistas foram resgatados no distrito de Rasuwa, incluindo dois cidadãos dos EUA, 11 indianos, quatro sul-coreanos e dois italianos. Autoridades italianas também afirmaram ter conseguido contatar 130 cidadãos que, até então, estavam com paradeiro desconhecido.

As informações provenientes do Tibete, região autônoma da China, fluem mais lentamente. Apenas três mortes foram confirmadas até o momento pelo governo central em Pequim, apesar das cenas captadas por câmeras na região fronteiriça mostrarem uma devastação provocada pela onda inicial da enchente.

Integrante da alta cúpula do Politiburo, Li Qiang visitou trabalhadores de emergência em Gyirong nesta quinta-feira. Um balanço sobre as primeiras 22 horas após o desastre apontam que as equipes fizeram o resgate de 141 pessoas com vida, em um operação apoiada por helicópteros.

A ajuda internacional também se mobiliza para aliviar a crise. A Índia enviou dois aviões abastecidos com cerca de 48 toneladas de suprimentos, incluindo medicamentos, comida e painéis solares, a fim de auxiliar as vítimas e a operação de emergência, enquanto o governo estima que 200 cidadãos do país estavam na área afetada. O coordenador de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, anunciou a liberação US$ 2 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU para apoiar a prestação de assistência médica de emergência e os fornecimentos de abrigo e água.

Potências ocidentais também prometeram contribuições. O premier do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que Londres encaminharia um pacote de 5 milhões de libras (R$ 34,9 milhões, no câmbio atual) para ajudar nos esforços de resposta á crise, enquanto os EUA. A União Europeia disponibilizou a rede de satélites Copernicus para ajudar a avaliar a zona do desastre e apoiar as operações de socorro. Uma estimativa da ONU, citando autoridades nepalesas, mencionava 10 mil famílias diretamente afetadas, e necessitadas de ajuda imediata. (Com AFP e NYT).

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