Influenciadora é alvo de operação que investiga golpes com 'Jogo do Tigrinho' em Nova Mutum
Em menos de um ano, a suspeita movimentou R$ 928 mil em sua conta bancária, mesmo sem ter renda formal compatível

A influenciadora Pamela Cristiane da Silva, conhecida como “Paam do Grau”, de 30 anos, foi alvo da Operação Jogo Duplo, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (8), Ela é suspeita de divulgar, de forma remunerada, plataformas clandestinas de jogos de azar pela internet.
Com cerca de 120 mil seguidores no Instagram, a influenciadora usava o perfil para divulgar links das plataformas e publicar vídeos com supostos ganhos financeiros.
De acordo com a Polícia Civil, entre junho de 2025 e abril de 2026, Pamela movimentou R$ 928 mil em sua conta bancária. No período, conforme os investigadores, ela não possuía vínculo empregatício formal e tinha renda declarada de R$ 901 mensais.
A investigação apura suspeitas de exploração de jogos de azar, obtenção de vantagem ilícita mediante indução de terceiros ao erro, publicidade enganosa, associação criminosa e lavagem de capitais.
Vídeos mostravam supostos ganhos
Segundo a Polícia Civil, a influenciadora utilizava um link diferente daquele disponibilizado aos usuários comuns, por meio desse acesso ela sempre obtinha resultados positivos nos jogos e, posteriormente, divulgava os supostos ganhos em vídeos publicados nas redes sociais.
Para os investigadores, a estratégia criava nos seguidores a expectativa de que também conseguiriam ganhar dinheiro ao utilizar as plataformas indicadas por ela.
O delegado Jean Paulo Ferreira, responsável pelo caso, afirmou que uma das empresas divulgadas pela influenciadora já aparece em 355 boletins de ocorrência por estelionato registrados em diferentes Estados brasileiros.
Ainda segundo a investigação, havia situações em que usuários conseguiam obter ganhos dentro da plataforma, mas não conseguiam retirar o dinheiro.
As apurações indicam também que as plataformas permaneciam em funcionamento por períodos de dois a três meses e depois eram encerradas. Mesmo com a mudança das empresas e dos nomes utilizados, a investigada continuaria divulgando novos links para os seguidores, segundo a Polícia Civil.
Justiça determina bloqueios e apreensões
Durante a operação, foram cumpridas ordens judiciais de busca e apreensão na residência da investigada. A Justiça também determinou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos, a suspensão do perfil da influenciadora no Instagram, o uso de tornozeleira eletrônica e a quebra do sigilo fiscal referente ao período de 2023 a 2026.
Também foram determinados o sequestro de veículos registrados em nome da investigada e o bloqueio de R$ 642.845,45.
Entre os bens apreendidos estão um jet ski, duas motonetas elétricas, uma câmera, dois celulares, um drone, quatro motocicletas — Yamaha XT 660R, BMW G310, BMW R1250GS A e Honda CG 160 Titan EX —, além de um Volkswagen Jetta 2.0, uma carretinha Acura R/Junior Cia 501 e um reboque para jet ski.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer a participação da influenciadora e a eventual atuação de outras pessoas no esquema.
O delegado Jean Paulo Ferreira orientou que moradores de Nova Mutum que tenham apostado nas plataformas investigadas e se considerem vítimas procurem a Delegacia de Roubos e Furtos do município para registrar boletim de ocorrência.
Veja vídeos:
Relacionadas

Corpo de mulher é encontrado boiando no Rio Cuiabá

Polícia representa por prisão preventiva de homem que matou esposa e filho a facadas

Operação cumpre 51 ordens judiciais contra célula de facção criminosa em Sinop

Mulher e bebê de 4 meses são mortos a facadas em MT; pai da criança é preso suspeito do crime

Homem é morto a tiros a caminho de júri em Santo Antônio de Leverger

