Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Jovem que filmou a própria morte: namorado é condenado a 19 anos de prisão

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Diego Fonseca Borges foi condenado a 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos, em Jataí, no sudoeste de Goiás. A sentença foi anunciada nesta sexta-feira (28), após mais de 21 horas de julgamento pelo Tribunal do Júri. A Justiça também determinou o pagamento de R$ 250 mil à família da vítima por danos morais.

Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do crime e acolheram as qualificadoras apontadas na acusação: motivo torpe, emboscada, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. A decisão foi proferida pelo juiz Lucas Caetano Marques de Almeida.

O julgamento começou na manhã de quinta-feira (27) e terminou às 6h12 de sexta-feira (28). O Ministério Público de Goiás foi representado pelos promotores Lucas Otaviano da Silva e Luis Gustavo Soares Alves. A denúncia havia sido apresentada em dezembro de 2023.

Crime foi registrado pelo celular da vítima

Ielly Gabriele foi morta em 4 de novembro de 2023, na zona rural de Jataí. O caso ganhou repercussão nacional porque a própria jovem estava com o celular ligado no momento em que foi baleada pelo então namorado.

Segundo as informações apresentadas no processo, Ielly filmava Diego enquanto ele estava armado. O disparo atingiu a jovem, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O vídeo registrado pelo celular se tornou uma das principais evidências do caso.

A defesa sustentou durante o processo uma versão diferente da acusação e, segundo informações divulgadas após o julgamento, alegou que o disparo teria sido acidental. A tese foi rejeitada pelos jurados, que reconheceram o dolo direto na condenação.

Defesa vai recorrer

Após a condenação, a advogada Mirelle Gonsalez Maciel, responsável pela defesa de Diego, informou que pretende recorrer da decisão. Segundo a defesa, o processo pode ter sido prejudicado pela menção, durante o julgamento, a uma condenação anterior do réu que não tinha relação com o caso de Ielly.

A defesa afirmou ainda respeitar a condução do julgamento pelo juiz e disse confiar no sistema de Justiça.

Com a sentença, Diego permanece preso para o cumprimento da pena em regime inicial fechado. A decisão também estabeleceu os R$ 250 mil como valor mínimo de reparação pelos danos morais causados aos familiares de Ielly.

Confira a nota da defesa na integra:

A defesa de Diego Fonseca Borges vem a público manifestar-se sobre a sentença proferida nesta data pelo Tribunal do Júri.

A defesa recebe a decisão com o devido respeito, reconhecendo que os trabalhos do júri transcorreram sob condução escorreita e imparcial por parte do magistrado presidente, tendo sido observadas, no que se refere à atuação judicial, as garantias inerentes ao rito do Tribunal do Júri.

Não obstante, a defesa irá recorrer, notadamente em razão das nulidades verificadas em ata de julgamento especialmente quanto à utilização de argumento de autoridade lastreado em processo penal anterior do réu, prática vedada pelo ordenamento jurídico pátrio e apta a comprometer a regularidade do julgamento e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.

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