Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
OSTENTAVA LUXO

Missionária presa em operação teria recebido cirurgia paga por líder de facção

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A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos, presa nesta quinta-feira (16) durante a Operação Fariseus, teria recebido uma cirurgia plástica custeada por Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Além dela, os pais da investigada, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida, também são alvos da investigação.

Segundo a Polícia Civil, Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas “Batman”, que está foragido desde 2024 após romper uma tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de medidas cautelares. A investigação apura a relação entre os envolvidos e possíveis benefícios recebidos pela suspeita a partir do vínculo com integrantes da facção.

De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a cirurgia estética teria sido paga por uma liderança criminosa como parte de uma suposta troca de favores.

“Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores. Por exemplo, a presa teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa”, afirmou o delegado.

A Polícia Civil também investiga o patrimônio de Rhavenna, incluindo veículos, movimentações financeiras e a empresa “A Burguesinha dos Looks”, registrada em nome da suspeita. Conforme a investigação, o estabelecimento pode ter sido utilizado como uma possível empresa de fachada para movimentação de valores.

“O patrimônio, os veículos e o padrão de vida dela são objetos da investigação, que busca confirmar se foram custeados por integrantes da facção”, declarou Victor Hugo.

Pais de Rhavenna também são investigados

Além da prisão preventiva da missionária, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra os pais dela, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida.

Segundo a Polícia Civil, a suspeita é de que o núcleo familiar tenha utilizado atividades religiosas como forma de aproximação com integrantes da organização criminosa.

A investigação aponta que os envolvidos se apresentavam como missionários para ingressar em unidades prisionais e realizar trabalhos religiosos, mas, segundo a apuração, também poderiam transmitir mensagens, informações e valores entre integrantes da facção.

“Os investigados se apresentavam como missionários para entrar nos presídios e levar a palavra aos detentos. No entanto, mantinham relação próxima com líderes da facção criminosa que atua em Mato Grosso, transmitiam recados e também lavavam dinheiro para esses integrantes”, disse o delegado.

Viagens ao Rio de Janeiro e imagens com armas

Outro ponto investigado pela Polícia Civil envolve viagens realizadas pelos suspeitos ao Rio de Janeiro, onde, segundo a apuração, integrantes do grupo teriam mantido contato com membros da facção em comunidades dominadas pela organização criminosa.

Durante a investigação, foram identificados registros fotográficos e audiovisuais envolvendo os investigados em ambientes ligados a integrantes da facção.

A Polícia Civil informou que há imagens em que aparecem pessoas ligadas ao grupo com armas de fogo, incluindo registros envolvendo integrantes da família investigada.

O material será submetido à análise dos investigadores para esclarecer a participação de cada envolvido e a origem dos recursos utilizados.

Suposto uso da facção após furto

A investigação também apura uma situação em que Rhavenna teria acionado integrantes da facção após um furto ocorrido em sua residência.

Segundo o delegado, a suspeita teria recorrido ao grupo criminoso para aplicar um chamado “salve” contra o suposto autor do crime, em vez de procurar as autoridades.

“Houve uma situação de um crime patrimonial na residência dela. Ela identificou a pessoa e, em vez de procurar a Polícia, como deve fazer qualquer cidadão, buscou ajuda da facção criminosa, e esse salve ocorreu”, afirmou Victor Hugo.

Operação Fariseus

A Operação Fariseus foi deflagrada pela Polícia Civil para investigar um grupo suspeito de utilizar projetos religiosos como meio de aproximação e comunicação com integrantes de uma organização criminosa.

Foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas cautelares como quebra de sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados.

Também foi determinada a suspensão temporária do ingresso dos suspeitos em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

Segundo a Polícia Civil, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, tortura e corrupção de menor.

A investigação continua para esclarecer a extensão da participação de cada suspeito e identificar possíveis outros envolvidos.

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