O guia de Mick Jagger para viver mais e melhor, segundo ele mesmo

Quando Mick Jagger está se apresentando com os Rolling Stones — algo que ele ainda faz, milagrosamente, 64 anos após a formação da banda — precisa se lembrar de parar de se mover.
“Porque nem todo mundo quer ver você se mexendo”, diz Jagger, enquanto conversamos em uma suíte clara de hotel em Londres, com uma chuva torrencial de verão castigando a calçada do lado de fora. “Quando você canta uma balada, para de se mover. E eu digo para mim mesmo: ‘Você não vai se mexer. Vai ficar parado aí. Mexa os braços! Só isso que você vai fazer’.”
A imobilidade não lhe vem naturalmente. Quem já viu os Stones ao vivo sabe disso. Há quatro anos, no Hyde Park, vi Jagger — aos 78 anos! — marchar, desfilar, apontar, rebolar e sacudir o corpo por todo o enorme palco durante duas horas seguidas. Se ele realmente parou em algum momento, eu não percebi.
Naquela noite, achei que estava assistindo a uma turnê de despedida. O baterista original da banda, Charlie Watts, havia morrido no ano anterior, desfazendo o quarteto central formado também por Keith Richards e Ronnie Wood. Mesmo assim, eles seguiram com as comemorações dos 60 anos da banda. Parecia um momento razoável para encerrar a trajetória — ainda mais porque não lançavam um álbum de músicas inéditas havia mais de uma década.
Mas, incrivelmente, nos anos seguintes, a banda entrou em uma verdadeira fase de renascimento criativo. Foreign Tongues, o 33º álbum dos Rolling Stones — considerando apenas os discos com material majoritariamente original — será lançado poucas semanas antes do aniversário de 83 anos de Mick Jagger, em julho. É o segundo álbum em três anos e, assim como Hackney Diamonds, de 2023, é genuinamente excelente.
Pessoalmente, Jagger é mais caloroso e reflexivo do que eu imaginava. Também ri com facilidade. O principal que quero perguntar a ele é: como consegue permanecer tão afiado, criativa e fisicamente?
Bem, segundo ele, não pensa muito nisso além do óbvio: exercitar-se e não exagerar na bebida ou nas drogas.
“Você só está fazendo o melhor que pode”, diz.
GQ: Você e a banda vivem um ressurgimento criativo nos últimos anos — dois álbuns em três anos depois de uma longa pausa. A que você atribui isso?
Mick Jagger: Acho que, antes de tudo, fomos muito preguiçosos e não fizemos muita coisa por muito tempo. Chegamos a um ponto em que percebemos que não estávamos indo na direção certa. Então tivemos uma conversa muito séria antes de Hackney Diamonds [álbum de 2023]. Eu disse: “Ok, é bem simples. Vamos trocar de produtor e estabelecer um prazo.” Fizemos isso. Fomos compor, ensaiar, fazer tudo da maneira correta.
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