Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Operação mira advogados suspeitos de vender influência em decisões judiciais em Cuiabá

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Smoke, em Cuiabá, para desarticular um suposto esquema criminoso formado por profissionais da área do Direito acusados de explorar prestígio e se associar para obter vantagens financeiras indevidas. Entre os alvos estão os advogados Gustavo Barros dos Santos e Liomar Santos de Almeida, além do bacharel em Direito Dimas Pimentel Barroso.

As ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias da Capital, totalizam 15 determinações, incluindo mandados de busca e apreensão, medidas cautelares diversas da prisão e quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático. As diligências foram cumpridas nos bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó. A Ordem dos Advogados do Brasil acompanhou o cumprimento das buscas nos endereços ligados aos advogados, em respeito às prerrogativas da categoria.

De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato, o grupo abordava familiares de pessoas presas e prometia decisões judiciais favoráveis, alegando influência junto a integrantes do Poder Judiciário. Em troca, cobrava valores considerados elevados, sob a justificativa de que seriam repassados a terceiros capazes de interferir nos processos.

As tratativas, segundo a apuração, ocorriam tanto em encontros presenciais quanto por meio de aplicativos de mensagens, com a recomendação de absoluto sigilo nas conversas. Para aprofundar as investigações, a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos financeiros e de comunicações dos envolvidos, medida que deve permitir a identificação da origem e do destino dos recursos supostamente movimentados, além de mapear a rede de contatos do grupo.

Embora não tenha havido decretação de prisão, o Judiciário impôs uma série de restrições, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato entre investigados e testemunhas, impedimento de deixar a comarca sem autorização e entrega de passaporte. Também foi determinado o uso de tornozeleira eletrônica, com instalação imediata realizada pela Polícia Penal, a fim de assegurar o controle dos deslocamentos e evitar possível continuidade das práticas investigadas.

A apuração segue em andamento e os investigados poderão responder, ao final do inquérito, pelos crimes de exploração de prestígio e associação criminosa.

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