Oscar estuda mudança em regras para impedir que IA de Val Kilmer concorra e vença prêmio, diz site

G1
Os organizadores do Oscar estudam mudanças nas regras da premiação para impedir que atuações geradas por inteligência artificial (IA) concorram ao troféu e até mesmo levem o prêmio. As avaliações sendo levadas em conta pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, entidade responsável pelo Oscar, foram expostas em reportagem da revista Variety.
A publicação diz que os temores dos organizadores de prêmios hollywoodianos em torno do uso de IA na indústria cinematográfica cresceram com a produção de ‘As Deep as the Grave’. A produção é “protagonizada” pelo ator Val Kilmer (1959-2025), morto em decorrência de um câncer na garganta em abril de 2025.
A Variety explica que Kilmer foi escalado para protagonizar o longa antes de sua morte. Devido ao seus problemas de saúde, ele acabou não podendo comparecer às filmagens. O roteirista e diretor Coerte Voorhees, que havia desenvolvido o papel pensando no ator, se recusou a substituí-lo. Em vez disso, com a cooperação do espólio de Kilmer e de sua filha, Mercedes Kilmer, Voorhees “criou a atuação” do ator com inteligência artificial generativa, montando o personagem a partir de material de arquivo e ferramentas digitais.
Voorhees disse à Variety: “Ele era o ator que eu queria para interpretar esse papel. Foi algo totalmente pensado para ele”.
O filme ainda não tem previsão de lançamento. No entanto, a Variety enfatiza, ele chegará aos cinemas “em um momento em que a indústria ainda está avaliando as implicações do uso de IA para tentar reproduzir atuações de atores”.
A Variety diz que o Oscar já tratou do tema em um comunicado no qual afirmou que “as ferramentas de IA nem ajudam nem prejudicam as chances de conseguir uma indicação”. Segundo a mesma publicação, a Academia orienta seus votantes a considerar “o grau em que um ser humano esteve no centro da autoria criativa”. Fontes relataram à revista que o tema segue sob debate entre os organizadores da premiação.
Já o sindicato de atores de Hollywood, SAG-AFTRA, responsável pelo Actor Awards, adotou uma linha mais rígida. Pelas regras atuais, performances “totalmente geradas por inteligência artificial” são desqualificadas da consideração para os prêmios.
De acordo com a Variety, trabalhos aprimorados por IA ainda podem ser elegíveis, mas apenas quando o intérprete tiver dado consentimento conforme os acordos do sindicato. Em 'As Deep as the Grave', a parte do consentimento foi atendida pelo espólio de Kilmer, mas é provável que a performance seja considerada “totalmente gerada” e, portanto, não elegível para o Actor Awards.
A reportagem da Variety chega ao fim refletindo: “Se o público reagir positivamente à atuação de Kilmer em ‘As Deep as the Grave’, os votantes de prêmios se verão diante de uma decisão que nenhuma diretriz atual prevê. As pessoas estarão assistindo a uma homenagem a um ator querido — ou apenas a mais um exemplo de conteúdo artificial sem qualidade gerado por IA?”.
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