Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
5° DIA DE JULGAMENTO

Perito descreve ‘três pancadas’ na cabeça que contribuíram para morte de Henry: 'Podem ter sido pancadas ou cascudos'

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O Globo

O quinto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros avançou nesta sexta-feira sobre um dos pontos mais sensíveis do caso Henry Borel: a origem das lesões encontradas no corpo do menino de 4 anos. Em depoimento ao júri, o perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes detalhou “sinais de espancamento” em ferimentos identificados na cabeça da criança e afirmou que eles indicam agressões em momentos distintos. Segundo ele, o menino tinha pelo menos 17 pontos de lesão encontrados no corpo.

Segundo o especialista da Polícia Civil, as lesões encontradas durante a necropsia apontam para “três momentos de agressão diferentes”, como marcas espalhadas em regiões distintas do couro cabeludo — uma espécie de mapa invisível da violência que o menino sofreu que, segundo ele, só apareceu quando os peritos aprofundaram os exames no Instituto Médico-Legal.

— São lesões independentes. Três momentos de agressão diferentes, produzindo três lesões em sítios diferentes — afirmou Prastes.

 

Ao explicar os ferimentos, Prestes disse que os traumas poderiam ter sido causados por pancadas, batidas contra superfícies rígidas ou até “cascudos”.

— Poderia ser o que a gente chama de cascudo, poderia ser uma batida em algum objeto, poderia ser a cabeça bater numa superfície rígida. De qualquer maneira, foi produzido por uma ação contundente — disse.

O perito afirmou que não é possível medir exatamente a intensidade dos golpes, mas ressaltou que eles foram suficientes para provocar hemorragias sob o couro cabeludo e edema cerebral.

— Foram três pancadas que deixam sangue pisado na cabeça da criança — resumiu.

Durante a explicação técnica, Prestes detalhou ainda como os peritos identificam esse tipo de lesão na necropsia.

— É feito um corte na parte superior. A porção da frente é puxada para se ver toda a superfície do crânio, a porção posterior também é puxada e você tem a exteriorização da calota craniana e da parte interna do couro cabeludo — explicou ao júri.

Perito rebate tese sobre massagem cardíaca

 

Outro ponto abordado no depoimento foi a tentativa da defesa de relacionar as lesões às manobras de reanimação feitas no Hospital Barra D’Or. Prestes voltou a afirmar que a massagem cardíaca não seria capaz de provocar os ferimentos identificados no corpo de Henry. O tema ganhou peso no julgamento porque Jairinho, que é médico, afirmou anteriormente que não tentou fazer reanimação antes de levar o menino ao hospital porque não exercia a profissão.

Ao comentar a técnica de ressuscitação cardiopulmonar, porém, Prestes afirmou que se trata de um procedimento básico aprendido por profissionais da área da saúde.

— Não é nem restrito à medicina. Um estudante de enfermagem aprende isso. É muito básico você fazer a técnica correta da massagem, da ressuscitação cardiorrespiratória — afirmou.

 

Indagado se alguém com formação médica teria conhecimento para provocar lesões sem deixar marcas aparentes, o perito respondeu que o saber técnico pode, sim, ser usado dessa forma.

— O conhecimento médico, o conhecimento técnico, ele sempre pode ser usado para o mal — disse.

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