Polícia apura atentado contra delegado em Sorriso; investigador prestou depoimento
O principal suspeito do atentado é o investigador da Polícia Civil Roberto Pinto Ribeiro, segundo a Polícia Militar.

O delegado da Polícia Civil Bruno França foi baleado na noite desta quarta-feira (13) após o carro em que estava ser alvo de diversos disparos no bairro Recanto dos Pássaros, em Sorriso (a 420 km de Cuiabá). O principal suspeito do atentado é o investigador da Polícia Civil Roberto Pinto Ribeiro, segundo a Polícia Militar.
De acordo com as informações apuradas, o delegado dirigia um Volkswagen T-Cross quando o veículo foi atingido por mais de 10 tiros. Imagens mostram marcas de disparos no para-brisa, na porta do motorista e nas janelas laterais do automóvel.
Mesmo ferido nas mãos, Bruno França conseguiu dirigir até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, onde recebeu os primeiros socorros. Depois, ele foi transferido para o Hospital Vila Romana.
Segundo familiares, o delegado passou por cirurgia e está fora de perigo. A informação preliminar é de que ele teria perdido dois dedos em decorrência dos ferimentos.
Após o atentado, equipes da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realizaram perícia no veículo para auxiliar nas investigações sobre a dinâmica do crime.
Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o investigador Roberto Pinto Ribeiro apresentava sinais de abalo emocional quando os policiais chegaram ao local. Aos militares, ele afirmou que vinha sendo ameaçado pelo delegado e alegou que Bruno França teria ido até sua residência antes dos disparos.
Durante a ocorrência, o investigador entregou uma pistola aos policiais. Também foram apreendidas outras armas, munições, carregadores e equipamentos táticos encontrados na casa dele. Apesar da apreensão do material, ele não foi preso.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral acompanha o caso em Sorriso e apura as circunstâncias da ocorrência envolvendo os dois policiais civis.
“Os envolvidos prestam esclarecimentos formais neste momento à equipe da Corregedoria-Geral que apura as circunstâncias do caso, visando adotar as providências cabíveis”, informou a instituição.
Outro caso
Bruno França já esteve envolvido em outro episódio de repercussão em Mato Grosso. Em novembro de 2022, o delegado foi flagrado por câmeras de segurança durante uma ação dentro de uma residência em um condomínio de luxo, em Cuiabá.
As imagens mostram o delegado entrando no imóvel e ameaçando a proprietária, uma empresária, afirmando que iria “estourar a cabeça” dela. O caso gerou investigação e resultou em denúncia por abuso de autoridade.
Em decisão judicial posterior, assinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, Bruno França foi condenado por parte das acusações relacionadas à conduta considerada ilegal e excessiva durante a ação policial.
Por outro lado, o magistrado absolveu o delegado da acusação referente ao crime de invasão de domicílio previsto na Lei de Abuso de Autoridade. Na decisão, o juiz entendeu que houve abuso em parte da atuação do policial, mas não considerou criminosa a entrada na residência em si.
A pena foi fixada em 2 anos e 1 mês de detenção, em regime inicial semiaberto. Como circunstância atenuante, a Justiça considerou a confissão dos fatos pelo delegado. Bruno França respondeu ao processo em liberdade, manteve o cargo público e ainda pode recorrer da decisão.
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