Saiba quem é a influenciadora de Sorriso que recebeu R$ 100 mil para divulgar Jogo do Tigrinho
Modelo que já foi capa da Revista Sexy teria recebido dinheiro de empresa ligada a Poze do Rodo e MC Ryan; investigação aponta movimentação de R$ 28 milhões

A modelo e influenciadora digital Natiele Aparecida, de Sorriso, alvo da Operação Engodo Digital, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (18), teria recebido cerca de R$ 100 mil de uma empresa ligada ao esquema investigado pela Polícia Federal que também alcançou os cantores Poze do Rodo e MC Ryan SP para divulgar o chamado “Jogo do Tigrinho” e outras plataformas de apostas nas redes sociais.
Natiele, que tem cerca de 113 mil seguidores e já foi capa da Revista Sexy, é apontada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop como uma das figuras centrais do esquema investigado. Conforme a apuração, ela teria utilizado duas contas nas redes sociais para promover plataformas de jogos de azar sem autorização regulatória.
A investigação aponta que a influenciadora teria trabalhado na divulgação das plataformas durante aproximadamente quatro anos. Nesse período, os policiais identificaram a movimentação de mais de R$ 28 milhões entre 2023 e 2025, valores que não teriam sido declarados e que apresentam indícios de relação com a atividade de jogos ilegais.
Empresa ligada a investigação que alcançou funkeiros
Conforme a Polícia Civil, a empresa responsável pelo pagamento à influenciadora é apontada como especializada em angariar influenciadores para divulgar plataformas clandestinas de apostas.
A empresa já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investigou uma estrutura financeira ligada à exploração de plataformas clandestinas de apostas e teve entre os alvos os cantores Poze do Rodo e MC Ryan SP.
A Polícia Civil de Mato Grosso identificou possíveis conexões entre os investigados nos dois casos. A mesma empresa e seu proprietário também foram alvo, em São Paulo, de medidas como busca e apreensão, sequestro de bens e valores e apreensão de passaporte durante a Operação Engodo Digital.
Como funcionava a atuação de Natiele
Segundo a Draco, Natiele utilizava duas contas nas redes sociais para divulgar as plataformas e mantinha, ao lado de outra investigada, um grupo de WhatsApp destinado ao envio de links e orientações para apostas de cota fixa consideradas ilegais.
A investigação identificou que os recursos entravam em contas de empresas ligadas às plataformas de apostas, entre elas Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
Segundo os investigadores, os valores eram imediatamente redistribuídos para uma rede formada por familiares e colaboradores da influenciadora.
A Polícia Civil também identificou a criação de diferentes empresas e o que classifica como possíveis simulações societárias em negócios do ramo da beleza. A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para dissimular a origem dos recursos.
R$ 28 milhões não declarados
O levantamento financeiro realizado durante a investigação aponta que mais de R$ 28 milhões circularam entre 2023 e 2025 sem declaração.
Para a Polícia Civil, existem fortes indícios de que os valores sejam provenientes da exploração de jogos ilegais on-line.
Natiele é investigada pelos crimes de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
Festa de mais de R$ 500 mil após capa da Sexy
A influenciadora também ganhou notoriedade por ter estampado a capa da Revista Sexy em 2024. Na ocasião, promoveu uma festa de comemoração no Castelo Don Joseph, em Sorriso.
Segundo informações divulgadas pelo Terra, o evento teria custado mais de R$ 500 mil e contou com uma decoração que utilizou aproximadamente 12 mil rosas.
Nas redes sociais, Natiele também publicava viagens para destinos nacionais e internacionais, incluindo Japão, Coreia do Sul e México.
As informações sobre o patrimônio e o padrão de vida da influenciadora passaram a ser analisadas no contexto da investigação sobre a movimentação dos valores atribuídos ao esquema.
Operação cumpre 56 ordens judiciais
Ao todo, a Operação Engodo Digital cumpriu 56 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas.
Também foram determinados o sequestro de bens móveis, quebra de sigilo telemático, bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias, bloqueio de contas de redes sociais e medidas cautelares diversas da prisão, como apreensão de passaportes.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Sinop.
Além de Sorriso, as diligências são realizadas em São Paulo e São Bernardo do Campo. A ação conta com equipes da Polícia Civil de Mato Grosso e apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo.
A investigação segue em andamento para esclarecer a participação de cada alvo e a origem dos valores movimentados. As suspeitas investigadas ainda não representam condenação, cabendo à Justiça analisar a responsabilidade individual dos envolvidos.
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