Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ENTENDA

Suspeito de matar cabo da PM durante aula em VG fica em silêncio durante depoimento na DHPP

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O homem preso em flagrante pelo assassinato do cabo da Polícia Militar Renato Oliveira Aragão, de 32 anos, permaneceu em silêncio durante o interrogatório realizado na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na noite de terça-feira (4). Em coletiva de imprensa concedida nesta quarta-feira (5), o delegado Rogério Gomes informou que o suspeito, Jonathan Vieira dos Santos, de 33 anos, optou por não apresentar sua versão dos fatos, enquanto as investigações seguem apontando, preliminarmente, para uma motivação passional.

De acordo com o delegado, Jonathan foi autuado em flagrante por homicídio qualificado. Embora não tenha respondido aos questionamentos da polícia, os investigadores reuniram depoimentos de testemunhas, familiares e pessoas que presenciaram o crime, elementos que, até o momento, indicam que o assassinato teria sido motivado por um suposto relacionamento extraconjugal entre a vítima e a companheira do suspeito.

"Foi lavrado um flagrante por homicídio qualificado, a princípio por recurso que dificultou a defesa da vítima. No interrogatório, o suspeito permaneceu em silêncio e não apresentou sua versão dos fatos. No entanto, ouvimos diversas testemunhas e familiares, e os elementos colhidos até o momento apontam para uma motivação passional, já que a vítima estaria mantendo um relacionamento com a esposa ou companheira do investigado", afirmou o delegado Rogério Gomes.

Após prestar depoimento, Jonathan foi encaminhado ao Fórum de Cuiabá, onde passou por audiência de custódia. O Ministério Público deve se manifestar sobre a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, enquanto a Polícia Civil prossegue com a conclusão do inquérito.

Crime ocorreu durante aula de projeto social

O homicídio foi registrado na noite de terça-feira (4), no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, onde o cabo Renato ministrava aulas de jiu-jítsu em um projeto social desenvolvido pela Polícia Militar para crianças e adolescentes.

Segundo a investigação, a aula da turma infantil havia terminado poucos minutos antes quando Jonathan entrou no local armado e efetuou diversos disparos contra o policial.

Conforme a Polícia Civil, o suspeito disparou 11 vezes, sendo que seis tiros atingiram Renato. O militar chegou a ser socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cristo Rei, mas não resistiu aos ferimentos.

A execução ocorreu na presença de alunos, familiares e demais pessoas que acompanhavam as atividades do projeto social, causando grande comoção entre os presentes.

Suspeito foi contido por alunos até a chegada da PM

Logo após os disparos, alunos e pessoas que estavam no Cras conseguiram imobilizar Jonathan até a chegada das equipes da Polícia Militar. O suspeito foi preso ainda no local e encaminhado inicialmente ao Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) Parque do Lago. Em seguida, foi apresentado à Delegacia de Homicídios, responsável pelas investigações.

A rápida reação dos participantes do projeto evitou que o suspeito fugisse antes da chegada das forças de segurança.

Comando da PM lamenta morte do policial

O comandante do 2º Comando Regional da Polícia Militar, coronel Ricardo Mendes, lamentou a morte do cabo Renato Aragão e destacou que o militar foi assassinado enquanto desempenhava uma atividade voltada à comunidade.

"É uma triste perda para nossa corporação, de um policial que estava exercendo uma função social e teve sua vida interrompida covardemente. Felizmente, apesar da situação extremamente triste, o autor foi contido e preso em flagrante. Esperamos que a Justiça seja feita com rapidez e desejamos que Deus conforte familiares, amigos e todos os companheiros de farda do cabo Aragão."

Polícia continua apuração

A DHPP informou que novas diligências serão realizadas nos próximos dias para esclarecer todas as circunstâncias do crime. A motivação passional permanece como a principal linha de investigação, mas a Polícia Civil ressalta que o inquérito ainda está em andamento e outras provas serão analisadas antes da conclusão do caso.

O assassinato do cabo Renato Oliveira Aragão provocou forte repercussão entre integrantes das forças de segurança e da comunidade de Várzea Grande, principalmente pelo fato de o policial ter sido morto enquanto conduzia um projeto social voltado à formação esportiva de crianças e adolescentes. A Polícia Militar informou que prestará assistência aos familiares da vítima e acompanhará o andamento das investigações até a conclusão do inquérito.

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