Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
ALFREDO DA MOTA MENEZES

União Europeia, carne e resultados

Ações como essa da União Europeia têm ajudado o Brasil no longo prazo

ALFREDO

A União Europeia interrompeu compra de carne bovina do Brasil. Falam em usos de antibióticos, não rastreabilidade do nascimento ao abate e outras reclamações. No computo geral da venda de carne para o exterior o que a Europa compra é até pequeno. Vai para aquele mercado 3.7% do total que o Brasil vendo para o mundo.

A vantagem ali é que compram carnes nobres com cortes especiais e que são mais caras. Mas, perante o total que se vende para o mundo, é até pequena a importação dali. Mas essa atuação da União Europeia, que não é a primeira vez, tem beneficiado a exportação de carne do Brasil para o mundo.

Por causa de fatos assim, desde algum tempo, o Brasil, num trabalho conjunto de governo e iniciativa privada, tem buscado diversificar mercados. Era, um ano atrás, 77 lugares diferentes no mundo que compravam carne do Brasil, hoje já se tem 88 países importando essa carne. A venda para o exterior tem aumentado, portanto.

Tem mercado, como o do Japão, que não comprava carne do Brasil por causa de antibióticos para aftosa. Hoje já se tem muita carne livre totalmente de aftosa. Ou seja, a qualidade da carne no Brasil melhorou muito nesses últimos anos.

Dai muitos acreditarem, e me incluo, que ações como essa da União Europeia têm ajudado o Brasil no longo prazo a melhorar a qualidade de sua carne bovina. Com isso a população do país tem também acesso a um produto de melhor qualidade a cada dia que passa. Se comparado com o passado de produção de carne no Brasil, quando não havia essas exigências de fora, quando a febre aftosa era uma constante, hoje a situação é bem melhor, sem dúvidas.

Ou seja, ao invés de se criticar ações de importadores europeus se deveria era aplaudir essas atitudes que acabam fazendo que a qualidade da carne nacional melhorasse muito nas últimas décadas.

Quando não havia essas exigências do exterior, o Brasil, é óbvio, sempre produziu carne bovina e vendia internamente. Já imaginou a qualidade que era antes, principalmente se comparada com a qualidade atual? Se não vendêssemos para o exterior e suas implicações em qualidade teríamos a carne que se tem hoje para venda interna? Claro que teria melhorado ao longo dos anos, mas talvez não tanto como agora. E esse agora tem rastro e muito no que o exterior pede do produto.

Tem muita gente que lembra ainda dos açougues de carnes pelo estado afora. Muitos não tinham nenhum cuidado na venda da carne. Teve tempo que não se tinha nem refrigeração. O que sobrava era salgada para não perder.

Hoje, por pressão do mercado interno e externo, mudou muito até mesmo nas roupas que vestem quem trabalha com carne bovina. A refrigeração chegou também, aliás faz bastante tempo. Mas lá atrás a coisa era complicada nos tais açougues.

Enfim, abrir para o exterior, seja com carne ou outros bens, foi bom para o país por forçar uma melhora no que se produz para vender lá e beneficia e muito aqui também. A competição externa é útil e bem vinda.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

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