Imagens mostram caminhões retirando cestas básicas desviadas do Programa SER Família em Barra do Garças

Vídeos reunidos pela Polícia Civil na Operação Mesa Vazia mostram vereadores e servidores públicos de Barra do Garças participando da entrega e do descarregamento de cestas básicas e kits de higiene que, segundo as investigações, deveriam ter sido destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social. As imagens, registradas em dezembro de 2025, reforçam a apuração sobre um suposto esquema de desvio de aproximadamente 13 mil cestas e kits do Programa SER Família Solidário, causando um prejuízo estimado em R$ 1,9 milhão aos cofres públicos e privando milhares de famílias do benefício.
A operação foi deflagrada nesta sexta-feira (3) pela Delegacia de Barra do Garças e investiga um esquema de desvio de alimentos e produtos de higiene provenientes do Programa SER Família Solidário, executado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
Conforme a investigação, as cargas eram retiradas de centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e transportadas até Barra do Garças. No entanto, em vez de serem entregues aos beneficiários cadastrados, órgãos públicos e entidades assistenciais habilitadas, os caminhões seguiam para chácaras, residências, sedes de associações e outros imóveis particulares.
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita é de que esses locais funcionassem como pontos de redistribuição irregular das cestas básicas e dos kits de higiene e limpeza, comprometendo a destinação prevista pelo programa social.
As investigações apontam que aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits deixaram de chegar aos destinatários. Cada conjunto é avaliado em cerca de R$ 150, o que representa um prejuízo estimado em R$ 1,9 milhão aos cofres públicos, além do impacto direto às famílias que dependiam da assistência para garantir alimentação e itens básicos de higiene.
Além das imagens, a Polícia Civil afirma ter identificado inconsistências entre a documentação oficial das entregas e a quantidade de produtos efetivamente recebida por representantes de entidades assistenciais. As divergências reforçaram a suspeita de que parte das cargas teria sido desviada durante o processo de distribuição.
Ao longo da investigação, os policiais também reuniram depoimentos de motoristas responsáveis pelo transporte das cargas, vereadores, representantes de associações e outras testemunhas. O inquérito inclui ainda a análise de documentos administrativos, comprovantes de pagamento, registros de transporte, conversas e relatórios produzidos durante a apuração.
Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. A Polícia Civil segue apurando a participação de cada envolvido e busca esclarecer como funcionava o esquema de distribuição irregular dos produtos adquiridos com recursos públicos e destinados ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade social.
O esquema
De acordo com a apuração, o esquema funcionava por meio de dois fluxos distintos. O primeiro seguia o procedimento regular e o segundo, considerado paralelo, utilizava documentos suspeitos, entidades e representantes sem legitimidade formal para dar aparência de legalidade ao desvio das cargas.
Entre os alvos da operação estão agentes públicos, políticos, intermediários, pessoas ligadas a entidades e integrantes dos núcleos responsáveis pela logística, armazenamento, distribuição e possível ocultação de provas.
Com parecer favorável do Ministério Público, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos, afastamento de função pública e medidas cautelares, como a proibição de contato entre investigados e de acesso aos locais onde os fatos teriam ocorrido.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que kits de higiene e limpeza tenham sido separados das cestas básicas. Depoimentos indicam que algumas entidades e beneficiários receberam apenas os alimentos, embora a documentação oficial registrasse a entrega conjunta dos produtos.
Ao todo, 90 policiais das Regionais de Barra do Garças e Água Boa participam da ação, com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), da Setasc e da Assistência Social do Município.
Veja o vídeo:
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