Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
VEJA

Imagens mostram caminhões retirando cestas básicas desviadas do Programa SER Família em Barra do Garças

Design sem nome (16)

Vídeos reunidos pela Polícia Civil na Operação Mesa Vazia mostram vereadores e servidores públicos de Barra do Garças participando da entrega e do descarregamento de cestas básicas e kits de higiene que, segundo as investigações, deveriam ter sido destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social. As imagens, registradas em dezembro de 2025, reforçam a apuração sobre um suposto esquema de desvio de aproximadamente 13 mil cestas e kits do Programa SER Família Solidário, causando um prejuízo estimado em R$ 1,9 milhão aos cofres públicos e privando milhares de famílias do benefício.

A operação foi deflagrada nesta sexta-feira (3) pela Delegacia de Barra do Garças e investiga um esquema de desvio de alimentos e produtos de higiene provenientes do Programa SER Família Solidário, executado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).

Conforme a investigação, as cargas eram retiradas de centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e transportadas até Barra do Garças. No entanto, em vez de serem entregues aos beneficiários cadastrados, órgãos públicos e entidades assistenciais habilitadas, os caminhões seguiam para chácaras, residências, sedes de associações e outros imóveis particulares.

De acordo com a Polícia Civil, a suspeita é de que esses locais funcionassem como pontos de redistribuição irregular das cestas básicas e dos kits de higiene e limpeza, comprometendo a destinação prevista pelo programa social.

As investigações apontam que aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits deixaram de chegar aos destinatários. Cada conjunto é avaliado em cerca de R$ 150, o que representa um prejuízo estimado em R$ 1,9 milhão aos cofres públicos, além do impacto direto às famílias que dependiam da assistência para garantir alimentação e itens básicos de higiene.

Além das imagens, a Polícia Civil afirma ter identificado inconsistências entre a documentação oficial das entregas e a quantidade de produtos efetivamente recebida por representantes de entidades assistenciais. As divergências reforçaram a suspeita de que parte das cargas teria sido desviada durante o processo de distribuição.

Ao longo da investigação, os policiais também reuniram depoimentos de motoristas responsáveis pelo transporte das cargas, vereadores, representantes de associações e outras testemunhas. O inquérito inclui ainda a análise de documentos administrativos, comprovantes de pagamento, registros de transporte, conversas e relatórios produzidos durante a apuração.

Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. A Polícia Civil segue apurando a participação de cada envolvido e busca esclarecer como funcionava o esquema de distribuição irregular dos produtos adquiridos com recursos públicos e destinados ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade social.

O esquema

De acordo com a apuração, o esquema funcionava por meio de dois fluxos distintos. O primeiro seguia o procedimento regular e o segundo, considerado paralelo, utilizava documentos suspeitos, entidades e representantes sem legitimidade formal para dar aparência de legalidade ao desvio das cargas.

Entre os alvos da operação estão agentes públicos, políticos, intermediários, pessoas ligadas a entidades e integrantes dos núcleos responsáveis pela logística, armazenamento, distribuição e possível ocultação de provas.

Com parecer favorável do Ministério Público, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos, afastamento de função pública e medidas cautelares, como a proibição de contato entre investigados e de acesso aos locais onde os fatos teriam ocorrido.

A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que kits de higiene e limpeza tenham sido separados das cestas básicas. Depoimentos indicam que algumas entidades e beneficiários receberam apenas os alimentos, embora a documentação oficial registrasse a entrega conjunta dos produtos.

Ao todo, 90 policiais das Regionais de Barra do Garças e Água Boa participam da ação, com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), da Setasc e da Assistência Social do Município.

Veja o vídeo:

Relacionadas