Empresas ligadas a Wellington tiveram R$ 3 milhões em benefícios fiscais

Os números entram em contraste com declarações recentes de Wellington durante a campanha. Ao criticar a política de incentivos fiscais adotada em Mato Grosso, o senador afirmou que suas empresas nunca haviam recebido esse tipo de benefício.
“São bilhões em incentivos fiscais para os grandes [empresários]. Você, pequeno comerciante ou pequeno industrial, recebe incentivos fiscais. Tenho as minhas empresas há mais de 50 anos e nunca recebi um real de incentivo fiscal e desafio qualquer um ”, afirmou Wellington durante debate entre os candidatos ao Governo, realizado pela TV Vila Real no início de setembro.
Segundo a reportagem, três empresas aparecem no levantamento: Zootec, Raça Agro Norte e SGM. Somados, os benefícios tributários atribuídos às três chegam a aproximadamente R$ 3,04 milhões no período analisado.
A Zootec aparece com R$ 1,081 milhão em benefícios tributários. A empresa possui registros de atuação em municípios como Rondonópolis, Cuiabá, Barra do Garças, Confresa, Jaciara, Ribeirão Cascalheira e Primavera do Leste.
A Raça Agro Norte aparece com R$ 1,037 milhão. Conforme a reportagem de A Gazeta, a empresa é administrada por João Antonio Fagundes Neto, filho do senador, e atua em municípios do norte de Mato Grosso, entre eles Alta Floresta, Juína, Nova Bandeirantes, Guarantã do Norte, Colniza, Apiacás e Aripuanã.
Já a SGM aparece com R$ 919,9 mil em benefícios tributários entre 2019 e 2025.
Wellington voltou a afirmar nesta terça-feira (15), durante entrevista à TV Centro América, que nunca havia recebido incentivo fiscal.
“Tenho as minhas empresas há mais de 50 anos e nunca recebi um real de incentivo fiscal e desafio qualquer um. Tenho indústria e comércio e comecei aos 22 anos de idade”, declarou.
A política de incentivos fiscais tem sido um dos temas explorados por Wellington durante a campanha. O candidato critica o volume de benefícios concedidos a grandes empresas e defende mudanças nos critérios utilizados pelo Estado.
A proposta apresentada por Wellington não prevê o fim dos incentivos. Ele defende que as empresas beneficiadas apresentem contrapartidas, como geração de empregos, investimentos, industrialização e retorno socioeconômico e ambiental.
“Quem tem incentivo fiscal tem que ter a compensação socioeconômica e ambiental”, afirmou.
O candidato também defende ampliar o acesso aos benefícios e ao crédito para pequenos e médios negócios, incluindo produtores rurais, comerciantes e mulheres empreendedoras.
Volume de benefícios
Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) citados pelo jornal, o volume anual de benefícios tributários concedidos pelo Estado passou de R$ 3,42 bilhões, em 2019, para R$ 15,6 bilhões, em 2025, uma alta de 356%.
No acumulado do período, entre 2019 e 2025, a renúncia fiscal chegou a R$ 65,5 bilhões, conforme os dados apresentados na reportagem.
A discussão sobre os incentivos fiscais ganhou espaço na campanha ao Governo de Mato Grosso justamente pelo impacto desses valores nas contas estaduais e pelo debate sobre quais setores e empresas devem ter acesso aos benefícios.
A reportagem de A Gazeta é assinada pelos jornalistas Pablo Rodrigo e João Freitas.
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