Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
POLÊMICA

Abilio remove seis vereadores de grupo de WhatsApp e amplia crise com a Câmara de Cuiabá

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), retirou seis vereadores do grupo de WhatsApp “Vereadores 2025 e Prefeito”, utilizado para a comunicação entre o Executivo e a base aliada na Câmara Municipal. A decisão aprofundou a crise política entre o Executivo e a Câmara Municipal. A medida foi adotada na quinta-feira (9), poucas horas após uma sessão ordinária marcada por críticas de parlamentares à iniciativa do prefeito de recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para questionar regras do Regimento Interno da Casa relacionadas à eleição da Mesa Diretora.

Foram removidos do grupo os vereadores Alex Rodrigues (Podemos), Eduardo Magalhães (Republicanos), Sargento Joelson (Podemos), Katiuscia Mantelli (Podemos) e Michelly Alencar (União Brasil). Na manhã seguinte, a vereadora Dra. Mara (Podemos) confirmou que também havia sido excluída da conversa.

O grupo era utilizado como canal de comunicação entre o prefeito e vereadores da base governista.

O episódio ocorre em meio ao acirramento da disputa em torno da sucessão da presidência da Câmara para o biênio 2027/2028, tema que passou a concentrar a principal tensão política entre os dois Poderes desde o início da atual legislatura.

A crise teve início após Abilio Brunini ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso questionando dispositivos do Regimento Interno da Câmara que exigem quórum de dois terços dos vereadores para aprovação de determinadas alterações regimentais.

Embora a ação trate da constitucionalidade das regras internas do Legislativo, o debate ganhou dimensão política por envolver diretamente a possibilidade de reeleição da presidente da Câmara, Paula Calil (PL).

O regimento atualmente impede a recondução consecutiva ao cargo de presidente da Mesa Diretora. Para alterar esse dispositivo são necessários, hoje, ao menos 18 votos favoráveis entre os 27 vereadores.

Sem o número necessário para aprovar a mudança no plenário, a discussão passou ao Judiciário.

Caso o TJMT acolha os argumentos apresentados na ADI e afaste a exigência do quórum qualificado, futuras alterações regimentais poderão ser aprovadas por maioria simples, modificando o cenário político da disputa pela presidência da Câmara.

A iniciativa do prefeito foi alvo de críticas durante a sessão ordinária realizada na quinta-feira. As vereadoras Katiuscia Mantelli, Maysa Leão foram as primeiras a se manifestarem, contra 

O vereador Dilemário Alencar (União Brasil), que mantém pré-candidatura à presidência da Câmara para o biênio 2027/2028. Da tribuna, o parlamentar defendeu que a escolha da futura Mesa Diretora permaneça restrita aos vereadores.

"Tenho conversado de forma transparente e respeitosa com todos os colegas. Acredito que vamos decidir internamente quem será o futuro presidente da Câmara. Não aceito interferência da Prefeitura, da Assembleia Legislativa ou de qualquer outro Poder", afirmou.

Exclusão amplia tensão política

Horas após a sessão, Abilio Brunini retirou do grupo de WhatsApp vereadores que haviam se manifestado durante os debates realizados em plenário.

A medida ampliou o desgaste entre o Executivo e parte da base governista, uma vez que o grupo era utilizado como principal canal de interlocução entre a Prefeitura e os parlamentares.

Entre os nomes excluídos está Michelly Alencar, esposa do secretário municipal de Esportes, Jefferson Neves. Nos bastidores da Câmara, parlamentares avaliam que a crise poderá produzir novos desdobramentos políticos, diante do aumento da tensão entre integrantes da base aliada.

Paula Calil defende alteração das regras

Em meio ao impasse, a presidente da Câmara, Paula Calil, tem sustentado que a vedação à reeleição prevista no Regimento Interno está em desacordo com o modelo adotado na maior parte das capitais brasileiras.

Segundo a parlamentar, a atualização das normas busca adequar a legislação municipal ao entendimento constitucional e às regras já adotadas em outros legislativos do país.

Próximos desdobramentos

A definição sobre a ADI deverá ficar a cargo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Enquanto o Judiciário analisa o pedido, a disputa pela sucessão da Mesa Diretora continua movimentando os bastidores da Câmara e produzindo reflexos na relação entre o Palácio Alencastro e sua base de sustentação política.

A exclusão de vereadores do grupo de comunicação do Executivo evidenciou o agravamento da crise e consolidou um novo momento na relação entre Prefeitura e Câmara, justamente no momento em que o governo busca preservar maioria política para os próximos debates legislativos.

Outro lado

A reportagem procurou a Prefeitura de Cuiabá para comentar a retirada dos vereadores do grupo de WhatsApp, porém até o fechamento desta matéria, não houve manifestação. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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