Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
MERCADO FINANCEIRO

Ações do agronegócio derretem na B3 e bolsa aciona ‘circuit breaker’ em reação ao cenário eleitoral

O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de extrema volatilidade nesta segunda-feira, o primeiro após a definição das urnas. A forte aversão ao risco derrubou os papéis de grandes companhias ligadas ao setor agropecuário, levando a B3 a paralisar temporariamente as negociações. O temor sobre os rumos da economia, a disparada do dólar e a […]

O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de extrema volatilidade nesta segunda-feira, o primeiro após a definição das urnas. A forte aversão ao risco derrubou os papéis de grandes companhias ligadas ao setor agropecuário, levando a B3 a paralisar temporariamente as negociações. O temor sobre os rumos da economia, a disparada do dólar e a elevação na curva de juros penalizaram de forma severa as empresas mais endividadas e dependentes do consumo interno.

A tensão tomou conta da bolsa de valores logo nas primeiras horas do dia. O volume expressivo de ordens de venda forçou a B3 a acionar o circuit breaker — mecanismo de segurança que suspende o pregão por 30 minutos para frear quedas atípicas e tentar estabilizar o mercado.

O impacto foi profundo entre as gigantes do agronegócio, revelando uma divisão clara de desempenho baseada na estrutura financeira e na presença global de cada companhia. No setor de proteína animal, a percepção de risco atingiu em cheio a Minerva Foods e a Marfrig, que amargaram tombos superiores a 24% e 15%, respectivamente.

Análises de mercado, como as apontadas por especialistas da Genial Investimentos, indicam que a sangria nessas duas companhias ocorre por conta do alto nível de alavancagem (endividamento) e da forte concentração de suas operações no Brasil. Em um cenário onde a perspectiva de juros futuros dispara, o custo da dívida dessas empresas aumenta exponencialmente, afugentando os investidores.

Por outro lado, a JBS conseguiu blindar-se do pânico doméstico. Os BDRs (recibos de ações estrangeiras) da multinacional registraram alta próxima a 7% na bolsa brasileira. A valorização reflete a forte presença da companhia nos Estados Unidos e em outros mercados globais. Com a disparada do dólar frente ao real, as receitas dolarizadas da JBS ganham peso na conversão cambial, transformando a empresa em um porto seguro para investidores que buscam fugir da instabilidade macroeconômica do Brasil.

Quedas generalizadas no campo

O pessimismo não se restringiu aos frigoríficos, arrastando também as empresas voltadas ao cultivo de grãos, sementes e ao setor sucroenergético.

Companhias como a produtora de sementes Boa Safra e a 3tentos viram seus papéis desabarem mais de 20% e 19%, respectivamente. A BrasilAgro também sofreu perdas de dois dígitos, recuando mais de 11%, enquanto a SLC Agrícola apresentou volatilidade intensa, chegando a cair 5% antes de tentar estabilizar suas perdas.

Entre as usinas de açúcar e etanol, a fuga de capital foi igualmente agressiva. A Raízen liderou as perdas do segmento com uma retração acima de 23%, seguida de perto pela Jalles Machado (queda superior a 21%) e pela São Martinho, que recuou mais de 11%.

Exportadoras como escudo imperfeito

Historicamente, em momentos de desvalorização cambial aguda, empresas exportadoras tendem a ser vistas como escudos defensivos na bolsa. Ao venderem seus produtos em dólar e pagarem grande parte de seus custos operacionais em reais, essas companhias costumam inflar suas margens de lucro.

Contudo, o cenário atual exige cautela. Especialistas alertam que o rótulo de “exportadora” não garante proteção absoluta. Muitas das companhias do agronegócio listadas na B3, embora vendam para o exterior, ainda possuem fatias muito robustas de seus faturamentos ancoradas no mercado brasileiro. Essa dependência interna, somada a dívidas sensíveis às taxas de juros nacionais, limita os benefícios que a alta do dólar poderia trazer, forçando o mercado a reprecificar o valor dessas ações para baixo diante das novas incertezas econômicas.

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