Ações do agronegócio derretem na B3 e bolsa aciona ‘circuit breaker’ em reação ao cenário eleitoral
O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de extrema volatilidade nesta segunda-feira, o primeiro após a definição das urnas. A forte aversão ao risco derrubou os papéis de grandes companhias ligadas ao setor agropecuário, levando a B3 a paralisar temporariamente as negociações. O temor sobre os rumos da economia, a disparada do dólar e a […]

O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de extrema volatilidade nesta segunda-feira, o primeiro após a definição das urnas. A forte aversão ao risco derrubou os papéis de grandes companhias ligadas ao setor agropecuário, levando a B3 a paralisar temporariamente as negociações. O temor sobre os rumos da economia, a disparada do dólar e a elevação na curva de juros penalizaram de forma severa as empresas mais endividadas e dependentes do consumo interno.
A tensão tomou conta da bolsa de valores logo nas primeiras horas do dia. O volume expressivo de ordens de venda forçou a B3 a acionar o circuit breaker — mecanismo de segurança que suspende o pregão por 30 minutos para frear quedas atípicas e tentar estabilizar o mercado.
O impacto foi profundo entre as gigantes do agronegócio, revelando uma divisão clara de desempenho baseada na estrutura financeira e na presença global de cada companhia. No setor de proteína animal, a percepção de risco atingiu em cheio a Minerva Foods e a Marfrig, que amargaram tombos superiores a 24% e 15%, respectivamente.
Análises de mercado, como as apontadas por especialistas da Genial Investimentos, indicam que a sangria nessas duas companhias ocorre por conta do alto nível de alavancagem (endividamento) e da forte concentração de suas operações no Brasil. Em um cenário onde a perspectiva de juros futuros dispara, o custo da dívida dessas empresas aumenta exponencialmente, afugentando os investidores.
Por outro lado, a JBS conseguiu blindar-se do pânico doméstico. Os BDRs (recibos de ações estrangeiras) da multinacional registraram alta próxima a 7% na bolsa brasileira. A valorização reflete a forte presença da companhia nos Estados Unidos e em outros mercados globais. Com a disparada do dólar frente ao real, as receitas dolarizadas da JBS ganham peso na conversão cambial, transformando a empresa em um porto seguro para investidores que buscam fugir da instabilidade macroeconômica do Brasil.
Quedas generalizadas no campo
O pessimismo não se restringiu aos frigoríficos, arrastando também as empresas voltadas ao cultivo de grãos, sementes e ao setor sucroenergético.
Companhias como a produtora de sementes Boa Safra e a 3tentos viram seus papéis desabarem mais de 20% e 19%, respectivamente. A BrasilAgro também sofreu perdas de dois dígitos, recuando mais de 11%, enquanto a SLC Agrícola apresentou volatilidade intensa, chegando a cair 5% antes de tentar estabilizar suas perdas.
Entre as usinas de açúcar e etanol, a fuga de capital foi igualmente agressiva. A Raízen liderou as perdas do segmento com uma retração acima de 23%, seguida de perto pela Jalles Machado (queda superior a 21%) e pela São Martinho, que recuou mais de 11%.
Exportadoras como escudo imperfeito
Historicamente, em momentos de desvalorização cambial aguda, empresas exportadoras tendem a ser vistas como escudos defensivos na bolsa. Ao venderem seus produtos em dólar e pagarem grande parte de seus custos operacionais em reais, essas companhias costumam inflar suas margens de lucro.
Contudo, o cenário atual exige cautela. Especialistas alertam que o rótulo de “exportadora” não garante proteção absoluta. Muitas das companhias do agronegócio listadas na B3, embora vendam para o exterior, ainda possuem fatias muito robustas de seus faturamentos ancoradas no mercado brasileiro. Essa dependência interna, somada a dívidas sensíveis às taxas de juros nacionais, limita os benefícios que a alta do dólar poderia trazer, forçando o mercado a reprecificar o valor dessas ações para baixo diante das novas incertezas econômicas.
Relacionadas

Giro do Boi na B3: Confira os ajustes futuros da arroba e a referência para Mato Grosso hoje (04/11)

Consumo doméstico deve frear disparada da arroba em 2027, apesar de oferta restrita, projeta Rabobank

Puxada por Mato Grosso, produção brasileira de soja deve bater recorde de 184,95 milhões de toneladas, projeta StoneX

Brasil abre mercado em Bangladesh e Colômbia para pecuária

Demanda aquecida impulsiona trigo em Chicago; soja e milho recuam com avanço da colheita nos EUA

