Acrimat vê “barreira comercial” em veto da União Europeia à carne brasileira
“Fomos pegos de surpresa", disse.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, afirmou nesta quinta-feira (14), durante a abertura da Acricorte 2026, que o setor pecuário foi surpreendido pela decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco econômico.
A União Europeia publicou, na terça-feira (12), uma atualização das regras relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária e excluir o Brasil da relação de países considerados aptos a atender as exigências sanitárias europeias.
Durante conversa com a imprensa, o dirigente avaliou que a medida possui caráter comercial e defendeu atuação diplomática do governo brasileiro para tentar reverter a situação.
“Fomos pegos de surpresa. Primeiro tivemos a situação envolvendo os Estados Unidos e agora a União Europeia toma essa decisão em relação à produção brasileira. Precisamos entender melhor o contexto dessa medida para podermos agir, afirmou.
Apesar da preocupação no setor, o presidente da Acrimat ponderou que o mercado europeu representa pequena parcela das exportações brasileiras de carne bovina e destacou que a China segue como principal destino da produção nacional.
“A União Europeia representa pouco mais de 3% das nossas exportações. Hoje, a China é o maior mercado da carne brasileira e continua sendo o principal parceiro comercial do setor no estado”, disse.
Segundo ele, a decisão europeia também pode estar ligada à proteção de mercado dentro do próprio bloco econômico.
“Acredito que exista uma questão estrutural e também uma barreira comercial. Isso precisa ser tratado com capacidade institucional, diálogo diplomático e atuação do Ministério da Agricultura”, declarou.
O dirigente relembrou ainda episódios anteriores envolvendo resistência de produtores europeus ao avanço da carne brasileira no mercado internacional.
“Há alguns anos estivemos na França discutindo a força da carne brasileira e já existia uma preocupação dos produtores europeus com a competitividade do nosso produto”, afirmou.
Mesmo diante do anúncio, a Acrimat defende cautela e aguarda os próximos desdobramentos das negociações entre o governo brasileiro e as autoridades europeias.
“Não podemos perder mercados compradores. Precisamos aguardar o posicionamento do Ministério da Agricultura e da diplomacia brasileira para garantir que essa produção continue sendo comercializada da forma mais competitiva possível”, pontuou.
A decisão da União Europeia pode impactar exportações brasileiras de carne bovina, aves, pescado, ovos e outros produtos de origem animal a partir de setembro deste ano. O governo federal informou que pretende abrir negociação com o bloco europeu para tentar reverter a medida.
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