Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CASO RENATO NERY

Acusação diz estar preparada para impedir que executor assuma sozinho morte de Renato Nery; veja vídeo

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O advogado Walmir Cavalheri, que atua como assistente de acusação no processo que apura o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, afirmou nesta quarta-feira (15) que a acusação está preparada para rebater qualquer tentativa de Alex Roberto de Queiroz Silva assumir sozinho a autoria do crime. O júri popular é realizado nesta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá. 

Segundo Cavalheri, a tese de autoria isolada não encontra respaldo nas provas reunidas durante a investigação. Conforme o advogado, os elementos colhidos ao longo do inquérito demonstram que o executor não manteve contato direto com os apontados mandantes do homicídio, reforçando a denúncia de que o crime foi articulado por outros envolvidos.

Questionado sobre a possibilidade de Alex tentar assumir sozinho a responsabilidade pelo assassinato, Cavalheri afirmou que essa tese não encontra respaldo nos elementos produzidos durante a investigação.

"A acusação está preparada para que ele não consiga assumir sozinho, mesmo porque não existe nenhuma comprovação de que ele teve qualquer contato com os mandantes", afirmou.

Conforme o advogado, não há qualquer elemento que demonstre que o executor tenha mantido contato direto com os apontados mandantes do homicídio, reforçando a tese do Ministério Público de que o crime foi intermediado por outros envolvidos.

Alex Roberto de Queiroz Silva é apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como o autor dos disparos que mataram Renato Nery no dia 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele é o primeiro dos seis denunciados a ser submetido ao Tribunal do Júri.

Durante entrevista, Cavalheri também afirmou esperar que o acusado aproveite o julgamento para revelar detalhes que ainda permanecem sem esclarecimento na investigação.

"Seria importante que ele fizesse algumas revelações. Isso poderia até abrandar a quantidade de pena que ele certamente vai levar", disse.

Segundo o assistente de acusação, a expectativa é de que Alex seja condenado a uma pena de até 25 anos de prisão.

As investigações apontam ainda que o executor recebeu aproximadamente R$ 110 mil para praticar o homicídio, embora a promessa inicial fosse de um pagamento de R$ 200 mil.

"Os valores praticamente estão comprovados nos autos. Ele recebeu em torno de R$ 110 mil e a promessa era de R$ 200 mil para o atirador", afirmou Cavalheri.

Ainda de acordo com o advogado, a investigação não identificou outros pagamentos além daqueles já documentados no processo.

Crime teria sido motivado por disputa de terras

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi assassinado em razão de sua atuação em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural localizada no município de Novo São Joaquim, que contrariou interesses econômicos do casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes do crime.

A investigação sustenta que, para viabilizar a execução, o casal teria contratado os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, responsáveis por organizar a ação criminosa, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no homicídio.

Além de Alex, todos os demais denunciados permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri. Sobre os próximos julgamentos, Cavalheri afirmou que ainda não há previsão em razão dos recursos apresentados pelas defesas.

"Todos têm algum tipo de recurso. A gente sabe como funciona: Tribunal de Justiça, STJ, Supremo. Não sabemos até onde as defesas tentarão ir", declarou.

Veja vídeo:

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