Acusados de executar advogado Roberto Zampieri vão a júri popular nesta terça-feira em Cuiabá; acompanhe ao vivo

Os três acusados de participação direta no assassinato do advogado Roberto Zampieri serão julgados pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (28), a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá. O julgamento será presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge e marca um dos capítulos mais importantes de um caso que ultrapassou os limites de um homicídio e provocou uma das maiores crises recentes no Judiciário de Mato Grosso.
Sentam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como o executor dos disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de atuar como intermediário entre os mandantes e o atirador; e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como financiador da execução.
Os três respondem por homicídio qualificado por promessa de recompensa, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, uso de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas. A ação penal, que tramitava sob sigilo, teve a restrição retirada após a conclusão da fase de instrução, permitindo o prosseguimento do julgamento pelo Conselho de Sentença. O processo reúne mais de 10 mil páginas.
Crime foi confessado pelo executor
De acordo com a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado dez disparos contra Roberto Zampieri quando o advogado estava dentro de sua caminhonete, estacionada em frente ao escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, em dezembro de 2023.
A acusação sustenta que Hedilerson Fialho Martins Barbosa intermediou a contratação do executor e providenciou a arma utilizada no crime, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria financiado a execução.
Segundo as investigações, o homicídio foi motivado por uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo é apontado como mandante do assassinato e responde em processo separado.
Investigação revelou suposto grupo de extermínio
Durante as apurações sobre a morte do advogado, a Polícia Federal identificou indícios da atuação de um grupo denominado Comando C4 ("Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos"), investigado por supostamente praticar espionagem, monitoramento clandestino e homicídios sob encomenda.
Segundo a PF, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas seria o líder da organização criminosa. Também respondem a processo separado Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater.
Assassinato provocou crise no Judiciário
A execução de Roberto Zampieri produziu efeitos muito além da esfera criminal. A perícia realizada no telefone celular do advogado revelou elementos que deram origem a uma série de investigações sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense e tribunais superiores.
Entre os principais desdobramentos está a Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024, que investiga uma organização criminosa suspeita de negociar decisões judiciais mediante pagamento de vantagens indevidas. A operação resultou, entre outras medidas, na prisão do lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e ampliou as investigações para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As apurações também levaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a afastar os desembargadores João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos, além do juiz Ivan Lúcio Amarante, da comarca de Vila Rica. Posteriormente, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos foram aposentados compulsoriamente, mas continuam sendo investigados.
O julgamento desta terça-feira deverá concentrar-se exclusivamente na responsabilização criminal dos três acusados pela execução de Roberto Zampieri, enquanto os processos envolvendo os supostos mandantes do crime e os desdobramentos relacionados ao esquema de venda de decisões judiciais seguem tramitando em procedimentos distintos.
Acompanhe ao vivo aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=pLhDdeZ-47gRelacionadas

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