Algodão recua em Nova York após ciclo de alta, mas clima nos EUA e colheita no Brasil seguem no radar do mercado

Após semanas consecutivas de valorização, as cotações do algodão voltaram a recuar na bolsa de Nova York, em meio à reversão de fatores que sustentaram a alta recente e ao ajuste técnico dos contratos. O movimento ocorre em um cenário ainda marcado por incertezas climáticas nos Estados Unidos e pelo início da colheita no Brasil, que adiciona pressão à oferta global da pluma.
Nos últimos meses, o mercado foi impulsionado por uma combinação de fatores geopolíticos e climáticos. Entre eles, o conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevou os preços do petróleo, e as condições climáticas desfavoráveis durante o início do plantio da safra 2026/27 norte-americana. O contrato julho/26 chegou a atingir 87,77 centavos de dólar por libra-peso no início de maio, alta de 33,09% em relação ao começo de março.
No entanto, o cenário mudou nas últimas semanas. O mesmo contrato encerrou o período mais recente cotado a 77,42 centavos de dólar por libra-peso, refletindo a melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e a queda dos preços do petróleo, fator que reduz a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas, como o poliéster.
A retração também foi influenciada por movimentos de correção técnica após o forte avanço acumulado no mês anterior, em um ambiente de maior cautela por parte dos investidores na bolsa de Nova York.
Apesar da recente melhora climática, o mercado segue atento ao desenvolvimento da safra norte-americana. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 41% da área projetada para o algodão na safra 2026/27 já havia sido semeada até 17 de maio. O percentual está 3 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra anterior e 1 ponto percentual acima da média dos últimos cinco anos.
Ainda assim, o histórico recente de instabilidade climática em regiões produtoras dos EUA mantém os agentes de mercado em alerta. O próximo relatório de condições das lavouras do USDA é aguardado como um dos principais indicadores para avaliar o real potencial produtivo da safra e pode trazer nova volatilidade às cotações internacionais.
No Brasil, o início da colheita também entra no radar dos traders, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional de algodão. A entrada da nova safra tende a ampliar a oferta de pluma no mercado físico e pode intensificar a pressão sobre os preços internos nas próximas semanas.
Em Mato Grosso, os indicadores do Imea mostram comportamento de queda nos principais derivados e na paridade de exportação. A paridade para julho/26 recuou 4,67% na última semana, refletindo diretamente o movimento negativo na bolsa de Nova York, e fechou na média de R$ 131,53 por arroba.
Entre os coprodutos, o poliéster também registrou retração de 0,69%, cotado a 43,48 centavos de dólar por libra-peso, acompanhando a queda dos preços do petróleo. Já a torta de algodão disponível recuou 2,33% em Mato Grosso, ficando na média de R$ 925,63 por tonelada, influenciada pela menor demanda no estado.
Mesmo com o recuo recente, analistas avaliam que o mercado do algodão segue altamente sensível ao comportamento climático nos Estados Unidos e às oscilações do petróleo, fatores que continuam sendo determinantes para a competitividade da fibra frente aos substitutos sintéticos.
A expectativa é de que o avanço da colheita no Brasil e a evolução da safra norte-americana definam o rumo dos preços nas próximas semanas, em um cenário de maior oferta global e possível manutenção da volatilidade na bolsa de Nova York.
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