Alta da ureia dispara custos no campo e pressiona rentabilidade do produtor brasileiro

A forte elevação no preço da ureia no mercado internacional passou a liderar a pressão sobre os custos de produção no Brasil, reduzindo o poder de compra dos produtores rurais. Levantamento divulgado em março de 2026 pela Itaú BBA aponta que a relação de troca se deteriorou para a maioria das culturas, em meio à escalada dos insumos.
A ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado no país, registrou a maior valorização entre os produtos monitorados, atingindo US$ 710 por tonelada CFR Brasil. O insumo acumula alta de 50% em apenas 30 dias e de 89% na comparação anual, tornando-se o principal fator de pressão sobre os custos agrícolas.
Segundo o relatório, o movimento está diretamente ligado ao cenário geopolítico no Oriente Médio, que concentra parte relevante da produção global. Apesar de sinais pontuais de trégua, a instabilidade mantém os preços elevados e com impacto imediato no mercado brasileiro.
Além da ureia, outros fertilizantes também apresentam valorização. O fosfato monoamônico (MAP) alcançou US$ 850 por tonelada, com alta de 17% no período mensal, influenciado pelo encarecimento de insumos como enxofre e ácido sulfúrico, além de restrições de exportação da China. Já o cloreto de potássio (KCl) teve comportamento mais estável, cotado a US$ 383 por tonelada.
Na prática, o produtor rural precisa entregar uma quantidade maior de commodities para adquirir o mesmo volume de fertilizantes. Mesmo com alguma recuperação nos preços de produtos como soja, milho e algodão, a valorização não acompanhou a velocidade de alta dos insumos.
O impacto é direto na margem de lucro. No caso da soja, por exemplo, o aumento no preço do grão não foi suficiente para compensar o avanço dos fertilizantes. A mesma tendência é observada em culturas como trigo, arroz e algodão.
Outro fator que amplia a pressão é o câmbio. Como o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes, a oscilação do dólar segue influenciando diretamente os preços internos.
Diante desse cenário, a recomendação é de cautela. A combinação entre fertilizantes mais caros — com destaque para a ureia — e commodities sem valorização proporcional tende a manter as margens apertadas, exigindo planejamento mais rigoroso por parte dos produtores ao longo da safra.
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