Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
PRODUÇÃO SOB PRESSÃO

Alta dos insumos eleva custo da soja e do milho e acende alerta em Mato Grosso

O avanço foi impulsionado pelo aumento das despesas com fertilizantes (+2,73%) e defensivos agrícolas (+2,17%), em meio a um cenário de incertezas geopolíticas que seguem pressionando a logística global e os preços dos insumos.

AGRO

O custo de produção das culturas de soja e milho em Mato Grosso segue em alta na safra 2026/27 e acende alerta para a rentabilidade do produtor rural no Estado. O cenário foi divulgado pelo projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA-MT), realizado pelo Senar-MT e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), e reflete principalmente o aumento dos preços de insumos no mercado internacional.

Na soja, o custeio foi projetado em R$ 4.286,89 por hectare em abril de 2026, alta de 1,88% em relação ao mês anterior. O avanço foi impulsionado pelo aumento das despesas com fertilizantes (+2,73%) e defensivos agrícolas (+2,17%), em meio a um cenário de incertezas geopolíticas que seguem pressionando a logística global e os preços dos insumos.

Com custos em elevação e mercado ainda pressionado, o estudo indica compressão das margens dos produtores. O ponto de equilíbrio da soja na safra 2026/27 foi estimado em R$ 68,65 por saca, considerando produtividade média de 62,44 sacas por hectare. O valor representa alta de 8,42% frente à safra anterior.

MILHO 

No milho, o movimento também é de aumento nos custos de produção. O custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.772,24 por hectare, alta mensal de 2,32%. O avanço foi puxado por fertilizantes e corretivos (+4,30%), defensivos (+2,46%) e sementes (+0,11%), também impactados pelo ambiente de incertezas no mercado global de insumos.

O custo operacional efetivo (COE) do milho subiu para R$ 5.501,12 por hectare, enquanto o custo total (CT) chegou a R$ 7.395,26 por hectare. No ponto de equilíbrio, o produtor precisa negociar a saca a R$ 31,78 para cobrir o custeio e a R$ 46,34 para cobrir o COE, com produtividade estimada em 118,71 sacas por hectare.

Apesar disso, o preço médio do milho em abril de 2026, de R$ 45,68 por saca, ainda permite cobertura do custeio, mas com margens ajustadas, exigindo maior atenção dos produtores na comercialização e no planejamento da safra.

Diante desse cenário, soja e milho seguem pressionados por custos elevados e dependência direta do comportamento do mercado internacional de insumos, com destaque para fertilizantes e defensivos, fatores que devem continuar no radar do produtor mato-grossense ao longo do ciclo 2026/27.

Relacionadas