Alta dos insumos eleva custo do milho em MT e exige preço mínimo de R$ 45,96 por saca

O custeio da safra de milho 2026/27 em Mato Grosso foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% em relação ao consolidado da temporada anterior, segundo levantamento do Projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Sistema Famato, Senar-MT e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento dos gastos com fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes.
O encarecimento dos insumos elevou a necessidade de investimento no campo e aumentou o preço mínimo necessário para garantir a viabilidade da atividade. Com produtividade estimada em 120,28 sacas por hectare, o produtor precisará comercializar o milho a pelo menos R$ 45,96 por saca para cobrir o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra, calculado em R$ 5.528,49 por hectare.
Além da alta nos preços dos fertilizantes e defensivos, o levantamento aponta que o custo das sementes também contribuiu para pressionar o orçamento dos produtores. O movimento reflete tanto o encarecimento do insumo quanto o avanço tecnológico dos materiais genéticos utilizados na produção.
Como consequência, o COE apresentou aumento de 15,03% em relação à safra 2025/26. Já o Custo Total (CT), que inclui despesas operacionais, depreciação de máquinas e remuneração do capital investido, avançou 10,30% no comparativo anual, alcançando R$ 7.418,49 por hectare.
O cenário ocorre em um momento de incerteza para o mercado do milho. Apesar da valorização do dólar, fator que tende a favorecer a competitividade das exportações brasileiras, os preços seguem pressionados pelo aumento da oferta mundial do cereal e pela perspectiva de estoques elevados nos principais países produtores.
Na última semana, o indicador do milho disponível em Mato Grosso foi cotado a R$ 41,58 por saca, valor inferior ao necessário para cobrir o custo operacional projetado para a próxima temporada. A diferença reforça a necessidade de planejamento comercial e de estratégias de proteção de preços para reduzir os riscos de rentabilidade.
Dados do Imea mostram ainda que a comercialização da safra 2025/26 alcançou 47,32% da produção estimada, enquanto os negócios antecipados da safra 2026/27 chegaram a 4,77%. O avanço das vendas futuras indica que parte dos produtores já busca garantir margens diante do aumento dos custos e da volatilidade do mercado.
Maior produtor nacional de milho, Mato Grosso exerce papel estratégico no abastecimento interno e nas exportações brasileiras. Por isso, a evolução dos custos de produção no Estado é acompanhada de perto pelo mercado, uma vez que influencia diretamente as decisões de investimento e a rentabilidade do setor nas próximas safras.
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