Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ESCALA 7X0

Apoio de Jayme e Wellington à PEC trabalhista provoca reações e críticas nas redes sociais

JAYME/FAGUNDES

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da chamada “jornada flexível”, apresentada pelo senador Rogério Marinho e apoiada pelos senadores e pré-candidatos ao Goveno de Mato Grosso, Jayme Campos (UB), e Wellington Fagundes (PL), passou a ser alvo de críticas nas redes sociais após ser associada por parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à criação de uma suposta “escala 7x0”.

A proposta, registrada como PEC 12/2026, já reúne 40 assinaturas no Senado Federal e foi encaminhada para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto surgiu como uma alternativa à PEC aprovada pela Câmara dos Deputados que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1.

De acordo com a justificativa apresentada por Rogério Marinho, a proposta busca ampliar a liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores, permitindo que o empregado escolha entre permanecer no regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou aderir a um modelo flexível baseado em horas efetivamente trabalhadas.

Segundo o texto, “o empregado poderá decidir o modelo de jornada que melhor atenda às suas necessidades, conciliando sua vida pessoal com seu trabalho, e possibilita que ele adapte sua rotina às demandas e oportunidades do mercado de trabalho”.

A proposta também estabelece que a remuneração deverá respeitar um valor mínimo por hora trabalhada, calculado proporcionalmente ao salário mínimo nacional ou ao piso salarial da categoria, tendo como referência a jornada máxima de 44 horas semanais.

Reação nas redes sociais

A discussão ganhou forte repercussão nas redes sociais após a deputada federal Erika Hilton, autora da PEC que prevê o fim da escala 6x1, criticar publicamente a proposta apresentada no Senado.

Em publicação nas redes sociais, a parlamentar classificou o texto como uma tentativa de instituir uma “escala 7x0” e convocou apoiadores a pressionarem os senadores que assinaram a proposta.

“Veja os senadores que assinaram a PEC da 7x0 e precisam ser pressionados para retirarem suas assinaturas e aprovarem a nossa PEC pelo fim da 6x1 sem alterações”, escreveu a deputada.

A postagem viralizou e acumulou centenas de milhares de interações, ampliando a pressão sobre os parlamentares signatários.

Entre os alvos das críticas estão Wellington Fagundes e Jayme Campos. Nas redes sociais do senador mato-grossense do PL, internautas passaram a questionar o apoio à proposta.

“Que vida boa e confortável né, Senador? Uma pena que o senhor não deseja o mesmo para a população já que assinou a PEC que pretende acabar com o regime CLT e impor a escala 7x0. O senhor apoia trabalho análogo à escravidão, senador?”, escreveu uma seguidora.

Já na página de Jayme Campos, comentários também cobraram explicações sobre a proposta.

“Quem trabalha sabe que não existe negociação com patrão. Não vamos votar em quem está contra os trabalhadores”, publicou uma internauta.

Divisão política

A PEC da jornada flexível foi articulada principalmente por parlamentares da oposição ao governo federal e conta com assinaturas de senadores de partidos como PL, PP, Republicanos, PSD, Podemos, PSDB e União Brasil. O texto é visto por seus defensores como uma alternativa que amplia a liberdade contratual e permite diferentes modelos de contratação.

Já os críticos argumentam que a medida pode enfraquecer garantias trabalhistas e aumentar o poder de negociação dos empregadores em detrimento dos trabalhadores. A principal preocupação está na possibilidade de contratos individualizados substituírem regras coletivas previstas na legislação trabalhista.

Consulta pública registra rejeição

Além da repercussão política, a proposta também enfrenta resistência na consulta pública aberta pelo Senado. Nas redes sociais e fóruns de discussão, milhares de usuários se mobilizaram contra a PEC, classificando a medida como um retrocesso nas relações de trabalho.

A proposta segue em tramitação no Senado e deverá passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça antes de eventual votação em plenário. Para ser aprovada, uma PEC precisa do apoio de pelo menos três quintos dos senadores em dois turnos de votação.

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