Apontado como "braço operacional" de desembargador investigado por suposta venda de sentenças, Faissal nega envolvimento e se diz tranquilo; assista vídeo

Alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), o deputado estadual Faissal Calil negou qualquer envolvimento em um suposto esquema de venda de decisões judiciais investigado pela PF e afirmou que não mantém contato com o desembargador afastado Dirceu dos Santos desde que deixou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
A operação é um desdobramento da Operação Sisamnes, que apura suspeitas de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro no âmbito do Judiciário mato-grossense. Entre os alvos desta nova fase estão o parlamentar, o desembargador afastado e o advogado Bruno Castro.
Em entrevista concedida à imprensa na porta de sua residência, em Cuiabá, Faissal afirmou que recebeu os agentes federais com tranquilidade e garantiu não possuir qualquer relação financeira com o magistrado investigado.
“Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Eu sou mais interessado para que isso seja esclarecido o mais rápido possível. Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato com ele. Simplesmente me afastei. Então, isso não é verdade, pode investigar o que for”, declarou.
Antes de ingressar na vida política, Faissal atuou no gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. Segundo informações que embasam a investigação, a Polícia Federal aponta o parlamentar como suposto "braço operacional" e "longa manus" do desembargador, expressão jurídica utilizada para indicar alguém que executaria ações em nome de outra pessoa.
O deputado, contudo, rebateu as suspeitas e afirmou que ainda não teve acesso integral ao conteúdo da decisão judicial que autorizou as medidas investigativas.
“Recebi a Polícia com muita tranquilidade. Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. É uma decisão vinculada ao STJ. Não temos ainda ciência do teor dessa decisão. Estou aqui pronto para esclarecer todos os fatos. Quem não deve não teme”, afirmou.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes recolheram aparelhos eletrônicos e tiveram acesso a dados dos investigados. Faissal disse ter colaborado integralmente com a operação.
“Dei meu iCloud, fiz tudo o que a Polícia pediu. Eles queriam o meu celular, dei na hora o meu celular e a senha do iCloud. Pode fazer o que quiserem, que façam o melhor uso dele e que a verdade venha à tona o quanto antes”, disse.
O parlamentar também afirmou não conhecer o advogado Bruno Castro, outro alvo da Operação Gemini.
Além das buscas e apreensões, a Justiça autorizou medidas de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A Polícia Federal busca identificar possíveis movimentações financeiras, repasses de recursos e eventual participação dos alvos em um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais.
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Até o momento, não houve denúncia formal nem condenação relacionada aos fatos investigados.
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