Governo leiloa restos do VLT após obra bilionária nunca sair do papel
O leilão será realizado no dia 15 de junho pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT) e escancara o tamanho do desperdício envolvendo uma das obras mais caras e problemáticas da história de Mato Grosso. O que foi vendido à população como símbolo de modernidade virou um retrato do descaso com dinheiro público.

Depois de mais de uma década de obras inacabadas, bilhões de reais gastos e nenhum passageiro transportado, o Governo de Mato Grosso decidiu leiloar parte dos materiais comprados para o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Cuiabá e Várzea Grande. Trilhos, estruturas metálicas, equipamentos ferroviários, transformadores, semáforos e peças elétricas que deveriam integrar o sistema agora serão vendidos após anos esquecidos em galpões e áreas alugadas pelo próprio Estado.
O leilão será realizado no dia 15 de junho pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT) e escancara o tamanho do desperdício envolvendo uma das obras mais caras e problemáticas da história de Mato Grosso. O que foi vendido à população como símbolo de modernidade virou um retrato do descaso com dinheiro público.
Entre os itens colocados à venda estão conjuntos de vigas pré-moldadas avaliados em até R$ 5 milhões, além de equipamentos ferroviários e elétricos estimados em mais de R$ 1 milhão. Parte dos materiais nunca chegou a ser utilizada. Outros ficaram anos armazenados sem qualquer serventia prática até perderem valor por falta de uso e exposição ao tempo.
Enquanto o governo gastava milhões para manter os equipamentos guardados em depósitos, a população convivia diariamente com obras abandonadas, trânsito prejudicado e estruturas deterioradas espalhadas pela região metropolitana. O modal, prometido como legado da Copa do Mundo de 2014, jamais saiu do papel.
O fracasso do VLT se arrastou por diferentes gestões estaduais, marcado por atrasos, paralisações, suspeitas de corrupção, disputas judiciais e mudanças de decisão sobre o futuro do projeto. No fim, o Estado abandonou definitivamente o sistema e optou pela implantação do BRT, deixando para trás uma montanha de materiais comprados com dinheiro público e sem utilidade no novo modelo de transporte.
Agora, o governo tenta transformar em arrecadação aquilo que durante anos representou prejuízo aos cofres públicos. A própria gestão admite que continuava arcando com despesas mensais de armazenamento, vigilância e conservação dos equipamentos abandonados.
Apesar do discurso oficial de que os recursos arrecadados serão destinados à infraestrutura e mobilidade urbana, o leilão reforça a sensação de desperdício e falta de planejamento que marcou toda a trajetória do VLT em Mato Grosso. Após consumir cifras bilionárias, a obra termina com materiais vendidos como sucata e sem entregar à população o sistema de transporte prometido há mais de dez anos.
As visitas aos lotes poderão ser realizadas entre os dias 8 e 12 de junho, em espaços como o barracão do VLT, próximo ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande — local que se transformou em depósito de equipamentos milionários comprados com dinheiro do contribuinte e que agora serão vendidos ao maior lance.
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