Arroba do boi gordo rompe a barreira dos R$ 400 na B3 e atinge patamar inédito
Contratos futuros para novembro e dezembro de 2026, além de janeiro de 2027, superaram a marca histórica na tarde desta terça-feira (27) em meio à oferta restrita de animais para abate.

No painel de negociações da B3, o principal destaque da sessão foi o contrato com vencimento em novembro de 2026 (BGIX26), que avançou 1,27% e atingiu a cotação de R$ 402,00 por arroba. Na mesma esteira de valorização, a posição para dezembro de 2026 (BGIZ26) registava alta de 1,31%, negociada a R$ 401,90/@, enquanto o contrato para janeiro de 2027 (BGIF27) subia 0,91%, cotado a R$ 400,45/@.
Já o contrato de outubro (BGIV26), que se aproxima da sua liquidação no fim desta semana e acompanha de perto as referências do mercado à vista, operava com ligeira alta de 0,10%, a R$ 385,00 por arroba.
O que explica a disparada
A escalada histórica na bolsa reflete um cenário de oferta curta de animais terminados no campo e escalas de abate apertadas nos matadouros frigoríficos, fator típico da transição do período de entressafra (seca) para o início das águas. Com menor disponibilidade de boiadas prontas, a indústria frigorífica enfrenta dificuldades para alongar as suas programações e precisa de elevar as ofertas de compra para garantir matéria-prima.
Além da restrição de oferta interna, o apetite comprador do mercado internacional — puxado principalmente pelos embarques aquecidos para a China e pela valorização do dólar face ao real — dá suporte extra à formação de preços e aumenta a disputa pelos animais padrão exportação (“boi China”).
Reflexo no mercado físico
O otimismo nos contratos futuros acompanha o movimento de firmeza nas principais praças pecuárias do país, onde os indicadores de referência vêm renovando recordes nominais em outubro. Em São Paulo, praça que serve de referência para a liquidação financeira da B3, o indicador Cepea/Esalq opera na casa dos R$ 381,40 por arroba — acumulando valorização de 4,69% no mês —, enquanto levantamentos da Scot Consultoria já apontam negócios para o “boi China” a prazo na faixa bruta de R$ 385,00/@.
Em Mato Grosso, detentor do maior efetivo bovino do país, o mercado físico também mantém forte trajetória de valorização. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço médio do boi gordo a prazo no estado subiu 5,75% na parcial de outubro em comparação com setembro, atingindo a média de R$ 355,12 por arroba — o segundo maior patamar histórico nominal já registado no estado —, sustentado pela retenção de animais no pasto e pela firme procura externa.
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