Arroba do boi reage em Mato Grosso no fim de julho após redução das escalas de abate, aponta Imea
Mesmo com queda na média mensal, menor oferta de animais terminados aumentou a necessidade de compra dos frigoríficos e sustentou recuperação dos preços na reta final do mês

A arroba do boi gordo voltou a ganhar força em Mato Grosso na reta final de julho, após um período de pressão sobre os preços provocado pela menor demanda por animais terminados. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a recuperação ocorreu principalmente pela redução das escalas de abate dos frigoríficos, que atingiram o menor nível de 2026.
O boi gordo a prazo encerrou julho cotado em R$ 324,17 por arroba, alta de 3,59% em relação à mínima registrada no mês. No mesmo movimento, a vaca gorda terminou o período negociada a R$ 303,78/@, avanço de 5,13% frente ao menor valor de julho.
Apesar da reação nos últimos dias do mês, a média mensal apresentou retração. O preço médio do boi gordo a prazo em Mato Grosso ficou em R$ 317,78/@ em julho, queda de 6,08% na comparação com junho. Já a vaca gorda registrou média de R$ 295,16/@, recuo de 5,41% no mesmo intervalo.
De acordo com o Imea, a pressão baixista foi mais intensa na primeira metade de julho, diante da menor procura por animais para abate. O cenário levou algumas indústrias frigoríficas a anunciarem férias coletivas como forma de ajuste ao ritmo do mercado.
Com a redução da oferta de bovinos terminados, entretanto, as cotações voltaram a reagir no fim do mês. O movimento foi acompanhado pelo encurtamento das escalas de abate, que passaram de 11,36 dias em 16 de julho para 8,12 dias no encerramento do período, o menor patamar registrado em 2026.
Indústrias reduzem escalas e retomam compras
A diminuição das escalas de abate sinaliza maior necessidade de reposição por parte dos frigoríficos, fator que contribuiu para a recuperação dos preços pagos ao pecuarista.
Na última semana de julho, o indicador diário do Imea mostrou avanço contínuo da arroba. O boi gordo passou de R$ 320,35/@ na segunda-feira (27) para R$ 324,17/@ na sexta-feira (31). No mesmo período, a vaca gorda subiu de R$ 297,32/@ para R$ 303,78/@.
O movimento indica uma mudança no comportamento do mercado após semanas de maior pressão sobre os pecuaristas, com a oferta mais restrita devolvendo sustentação aos preços.
Mercado atacadista ainda sente menor demanda
Enquanto a arroba reagiu no campo, o mercado atacadista apresentou sinais de enfraquecimento ao longo de julho.
A carcaça casada bovina em Mato Grosso foi negociada, em média, a R$ 24,36/kg na última semana do mês, alta de 2,35% em relação ao período anterior. Porém, no comparativo mensal, o indicador acumulou queda de 1,93%, com média de R$ 24,06/kg.
O Imea aponta que a retração esteve relacionada ao menor ritmo da demanda no atacado. Entre os cortes, o dianteiro com osso recuou 3,01%, enquanto o traseiro com osso apresentou queda de 2,87% em relação a junho.
Mesmo com a redução mensal, a carcaça casada permaneceu no maior valor nominal já registrado para um mês de julho, ficando 14,77% acima do preço observado no mesmo período de 2025.
Reposição segue valorizada e confinamento cresce
No mercado de reposição, os preços mantiveram trajetória positiva. A novilha de 255 quilos apresentou valorização semanal de 2,02%, chegando a R$ 11,38/kg.
O bezerro de 7 arrobas também avançou na última semana de julho, com alta de 1,77%, encerrando o período cotado em média a R$ 14,99/kg.
Já o contrato futuro do boi gordo com vencimento em outubro de 2026 (BGIV26) fechou a semana com média de R$ 358,04/@, queda de 0,73%, indicando ajustes nas expectativas do mercado futuro.
O levantamento do Imea também destaca o avanço da intenção de confinamento em Mato Grosso. No segundo trimestre de 2026, a estimativa chegou a 1,44 milhão de animais, acima dos volumes registrados nos períodos anteriores.
Exportações mantêm cenário positivo
No mercado externo, Mato Grosso exportou 88,76 mil toneladas equivalentes de carcaça de carne bovina em junho de 2026, gerando receita de US$ 447,88 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Para o curto prazo, o Imea avalia que o comportamento do mercado dependerá principalmente do equilíbrio entre a oferta de animais terminados e a capacidade do consumidor de absorver novos reajustes, especialmente diante do atual patamar elevado dos preços da carne bovina.
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