Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
MERCADO INTERNACIONAL

Avanço do E15 nos EUA pode abrir espaço para aumento das exportações brasileiras de milho

Caso a medida seja confirmada, a expectativa é de aumento no consumo de etanol pelos Estados Unidos, maior produtor mundial do biocombustível.

AGRO/MILHO

A aprovação de um projeto de lei pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos para permitir a comercialização do combustível E15 durante todo o ano pode criar novas oportunidades para as exportações brasileiras de milho, segundo análise divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O projeto H.R. 1346 prevê a liberação permanente da venda de gasolina com 15% de etanol na mistura, ampliando o uso do biocombustível no mercado norte-americano. A proposta ainda depende da aprovação do Senado dos Estados Unidos, mas já é acompanhada com atenção pelo setor agrícola internacional devido aos possíveis impactos sobre a oferta global de milho.

Atualmente, a comercialização do E15 enfrenta restrições durante o verão norte-americano em razão de normas ambientais relacionadas à evaporação dos combustíveis. Caso a medida seja confirmada, a expectativa é de aumento no consumo de etanol pelos Estados Unidos, maior produtor mundial do biocombustível.

Segundo dados destacados pelo Imea, os norte-americanos produzem cerca de 16,2 bilhões de galões de etanol por ano, sendo aproximadamente 90% consumidos internamente. Com a ampliação do E15, a tendência é de crescimento da demanda doméstica por etanol e, consequentemente, por milho, principal matéria-prima utilizada na produção do combustível no país.

Na avaliação do instituto, esse cenário pode reduzir parte da disponibilidade exportável do cereal norte-americano e abrir espaço para que o Brasil amplie sua participação no mercado internacional.

Oportunidade para o milho brasileiro

A possível redução da oferta exportável dos Estados Unidos ocorre em um momento estratégico para o Brasil, que vem consolidando sua posição entre os maiores exportadores globais de milho.

Nos últimos anos, a produção brasileira avançou impulsionada pelo crescimento da segunda safra, especialmente em Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional do cereal. Com volumes cada vez maiores disponíveis para exportação, o país tem ampliado presença em mercados tradicionalmente abastecidos pelos norte-americanos.

Especialistas do setor avaliam que uma maior destinação do milho dos Estados Unidos para a fabricação de etanol pode tornar o produto brasileiro mais competitivo em importantes mercados consumidores da Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

Além disso, a movimentação ocorre em um contexto de incertezas geopolíticas e preços elevados do petróleo, fatores que aumentam a atratividade dos biocombustíveis e fortalecem a demanda por matérias-primas agrícolas destinadas à produção de energia renovável.

Reflexos podem chegar a Mato Grosso

Para Mato Grosso, principal produtor nacional de milho, qualquer ampliação da demanda internacional representa um fator de sustentação para os preços do cereal.

O estado responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras e também tem ampliado os investimentos na industrialização do milho, incluindo a produção de etanol. Mesmo assim, o mercado externo continua sendo um dos principais canais de escoamento da safra mato-grossense.

Caso o projeto avance no Senado norte-americano e entre em vigor, o aumento do consumo interno de milho nos Estados Unidos poderá reduzir a pressão competitiva sobre o produto brasileiro no mercado global, favorecendo os embarques nacionais.

Mercado acompanha votação

Apesar das expectativas positivas, o setor segue atento à tramitação da proposta no Senado dos Estados Unidos. A aprovação definitiva do projeto é considerada um passo importante para consolidar a expansão do consumo de etanol naquele país.

Para o agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores de milho, a medida é vista como uma oportunidade de ampliar mercados e fortalecer as exportações em um momento em que a demanda global por alimentos e biocombustíveis continua em crescimento.

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