Boava rejeita palanque de Wellington e acusa direção do PL de MT de “sabotagem”
Candidato a deputado federal diz que partido descumpriu acordos com Bolsonaro e José Medeiros e critica exigência de apoio ao projeto de Wellington Fagundes

O racha dentro do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (2). Candidato a deputado federal pela legenda, Thiago Boava afirmou que está sendo “sabotado” dentro do próprio partido após decidir não apoiar a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso.
A manifestação ocorre dias depois de o presidente estadual do PL, Ananias Filho, endurecer a cobrança para que os filiados acompanhem o projeto eleitoral de Wellington. Segundo Ananias, quem não apoiar a candidatura poderá ser submetido a medidas internas, incluindo a possibilidade de expulsão ou a necessidade de deixar a sigla.
Boava declarou que não pretende subir no palanque da coligação Coração da Gente, formada por PL, MDB, PRD, Novo e Solidariedade. Em vídeo, afirmou que a decisão de não apoiar o grupo pode estar relacionada ao que chamou de “sabotagem” contra sua candidatura.
“É muito triste ver isso. Não sei se é por esse motivo que estou sendo sabotado: por não subir no palanque montado. Se o preço for esse, ficarei aqui embaixo sem subir nesse palanque. Não acredito nele e não estou indo para a política fazer o que não acredito. Estou indo de peito aberto para fazer o que acredito e dar continuidade ao trabalho sério que a Amália iniciou”, afirmou.
A crítica de Boava ocorre em um momento de tensão dentro do PL mato-grossense. Além da disputa em torno do apoio a Wellington, integrantes da própria direita no Estado têm adotado posições diferentes sobre a eleição para o Governo.
Em abril, Boava já havia afirmado que, nas articulações atribuídas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a prioridade em Mato Grosso era fortalecer a candidatura de José Medeiros (PL) ao Senado. Na ocasião, ele também disse que Bolsonaro defendia a possibilidade de uma composição com o grupo do ex-governador Mauro Mendes (União), enquanto Wellington seria uma escolha do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Agora, Boava voltou a citar Bolsonaro e Medeiros ao criticar a condução do PL estadual. Segundo ele, a direção da legenda teria descumprido compromissos políticos assumidos anteriormente.
“Tenho que trazer este assunto à tona. Infelizmente, o Partido Liberal, que diz defender Deus, Pátria, Família e Liberdade, rompeu um dos seus pilares, a moralidade, e não cumpriu o combinado comigo. Não cumpriu o que foi combinado com o Zé Medeiros. Não cumpriu o que foi combinado com o capitão Bolsonaro”, declarou.
O candidato também questionou a composição do palanque de Wellington e afirmou que, na avaliação dele, a atual estratégia do partido não fortalece o projeto de José Medeiros nem a linha política que atribui ao bolsonarismo.
“Esse palanque não fortalece Zé Medeiros, o principal ativo do capitão. Esse palanque não fortalece a liberdade que tanto buscamos; esse palanque fortalece interesses pessoais”, afirmou.
Ao final do vídeo, Boava pediu que os eleitores observem a posição dos candidatos do PL antes da votação de 4 de outubro e considerem, entre outros fatores, quais deles estarão ao lado de Wellington durante a campanha.
A posição coloca Boava entre os integrantes do PL que resistem ao alinhamento obrigatório ao candidato do partido ao Governo de Mato Grosso. Nos últimos dias, a direção estadual também abriu procedimentos contra prefeitos da legenda que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário de Wellington na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Veja vídeo:
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