Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

BRT -

A Avenida Miguel Sutil se tornou um dos principais retrato dos transtornos provocados pelas obras do BRT em Cuiabá. Uma das vias mais movimentadas da Capital, responsável por ligar diferentes regiões da cidade e concentrar parte significativa do fluxo diário de veículos, a avenida convive há meses com intervenções que alteraram a rotina de motoristas, comerciantes e moradores.

Ao longo dos trechos em obras, especialmente entre a região da Rodoviária, Viaduto da Sefaz, acesso ao CPA e proximidades da Trincheira Jurumirim, os condutores enfrentam desvios constantes, estreitamento de pistas, congestionamentos e dificuldades de acesso aos estabelecimentos comerciais. Nos horários de pico, o trânsito se transforma em um dos principais gargalos da mobilidade urbana da Capital.

A situação se agravou nos últimos meses com o avanço das obras de implantação dos corredores exclusivos do BRT. Em diversos pontos, máquinas, tapumes e frentes de trabalho dividem espaço com milhares de veículos que utilizam diariamente a avenida, provocando lentidão e aumentando o tempo de deslocamento dos motoristas.

A reportagem percorreu os principais trechos em obras da Miguel Sutil e constatou um cenário marcado por intervenções simultâneas, sinalização temporária, mudanças frequentes no fluxo de veículos e reclamações constantes de quem depende da via para trabalhar ou se deslocar entre bairros da Capital.

Motoristas relatam que trajetos que antes eram realizados em poucos minutos passaram a exigir o dobro ou até o triplo do tempo, especialmente nos horários de maior movimento. Comerciantes também reclamam da redução no fluxo de clientes em razão das dificuldades de acesso aos estabelecimentos localizados próximos aos canteiros de obras.

Os transtornos atuais fazem parte de uma história que se arrasta há mais de uma década. Em 2012, Cuiabá iniciou as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto que deveria ser entregue para a Copa do Mundo de 2014. O empreendimento, no entanto, foi paralisado e nunca entrou em funcionamento. As obras foram marcadas por escândalos de corrupção, que levou o ex-governador Silval Barbosa para cadeia, entre outras autoridades do alto escalão da época. 

Anos depois, já na gestão Mauro Mendes (UB), Governo de Mato Grosso, decidiu substituir o modal pelo Bus Rapid Transit (BRT), dando início a uma nova etapa de intervenções nas principais avenidas da região metropolitana.

Na Miguel Sutil, a implantação do novo sistema exige adequações viárias, construção de estações, reconfiguração de pistas e alterações no sistema de circulação. Embora as obras representem a promessa de melhorias futuras para o transporte coletivo, o cenário atual ainda é de paciência para quem precisa enfrentar diariamente os bloqueios e congestionamentos provocados pelas intervenções.

Enquanto o cronograma avança, a expectativa da população é que os transtornos enfrentados atualmente resultem, de fato, em um sistema eficiente de transporte. Após mais de uma década de promessas e mudanças de projetos, motoristas e usuários do transporte coletivo aguardam não apenas a conclusão das obras, mas a entrega efetiva de uma solução para a mobilidade urbana de Cuiabá.

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