Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ENTREVISTA NA TV GLOBO

Caiado pede ao STF abertura de sigilos do INSS e Banco Master e defende anistia no 8 de Janeiro; veja vídeo

Design sem nome - 2026-08-26T130236.883

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) encerrou a entrevista à TV Globo, nesta terça-feira (25), com um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam abertos os sigilos de investigações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao caso Banco Master e à Operação Carbono Oculto.

Durante as considerações finais, Caiado afirmou que a divulgação das informações permitiria aos eleitores conhecer eventuais envolvimentos de candidatos antes das eleições.

"Eu pediria que eles refletissem bem e abrissem o sigilo do INSS, do caso Master, e juntassem a ele também toda essa parte do Carbono Oculto, para que nós não fôssemos amanhã enganados por pessoas envolvidas em graves crimes e que amanhã pudessem ser eleitas", afirmou.

O candidato não citou nomes ao fazer o pedido. As investigações mencionadas por ele envolvem diferentes pessoas e empresas e seguem em apuração pelas autoridades. Eventuais responsabilidades dependem da conclusão dos respectivos processos investigativos.

Anistia para condenados do 8 de Janeiro

Um dos principais momentos da entrevista ocorreu quando Caiado foi questionado sobre a possibilidade de conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Caiado afirmou que, caso seja eleito, encaminhará ao Congresso Nacional um projeto de “anistia geral, ampla e irrestrita”.

"O traço do brasileiro não é de construir o ódio, de revanche eterno. Isso é histórico no Brasil. Desde o império você tem anistia. O que eu quero dizer nesse momento é que nós precisamos acabar com essa polarização, temos que pacificar o País. Ninguém aguenta mais essa situação. Esse clima está criando, como sempre, esse processo de um contra o outro", declarou.

Ao justificar a proposta, Caiado comparou a situação aos efeitos das decisões que anularam as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato.

"Da mesma maneira, que, de uma forma especial, o STF concedeu ao presidente Lula", afirmou.

A comparação foi questionada pelos jornalistas durante a entrevista. As condenações de Lula foram anuladas pelo STF em 2021 após a Corte considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar os processos. Posteriormente, o Supremo também confirmou a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos casos.

Caiado também citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que concedeu anistia em 1956. Questionado sobre o fato de parte dos anistiados posteriormente ter participado da articulação que antecedeu o golpe militar de 1964, o candidato manteve a defesa de sua proposta.

Os jornalistas também perguntaram sobre os depoimentos relacionados à chamada trama golpista e sobre o plano “Punhal Verde Amarelo”, citado em investigações sobre uma suposta tentativa de assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Caiado não apresentou uma resposta específica sobre os possíveis efeitos da anistia nesses casos.

Polícia sul-americana contra o narcotráfico

Na segurança pública, Caiado apresentou como uma de suas principais propostas a criação de uma polícia integrada entre países da América do Sul para combater o crime organizado e o narcotráfico.

A ideia prevê compartilhamento de informações e atuação conjunta contra crimes como tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro.

Caiado defendeu que agentes de países participantes possam atuar em outros territórios em operações relacionadas a esses crimes.

"Eu vou criar uma polícia, que essa polícia vai poder entrar, desde que seja tratando de assunto de contrabando de armas, lavagem de dinheiro, drogas. Você não precisa ter limite. Você vai passar para outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil. Isso não compromete soberania", afirmou.

O candidato comparou a proposta à Europol, agência que coordena a cooperação policial entre países da União Europeia. Durante a entrevista, porém, foi lembrado que a Europol não possui poder para realizar prisões e atua principalmente na troca e análise de informações entre as polícias dos países integrantes.

Ao defender sua proposta, Caiado afirmou que o Brasil se tornou um importante centro de atuação do narcotráfico na região.

Ajuste fiscal e dívida pública

A situação das contas públicas também foi abordada durante a sabatina. Caiado defendeu um ajuste fiscal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limitaria o crescimento das despesas federais à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Questionado sobre os cálculos que sustentam a proposta e sobre quais despesas seriam reduzidas, o candidato não apresentou um detalhamento completo das medidas.

Caiado afirmou que pretende reduzir gastos com privilégios, salários elevados, desvios relacionados a emendas e promover uma reforma administrativa.

"Farei gestão", disse.

Em outro momento, ao ser questionado sobre os detalhes das medidas econômicas, afirmou:

"Eu já não defini o macro? Então estou dizendo como vou fazer. Agora, essas situações todas... Vou priorizar o que? Combate à corrupção, salários extorsivos, desvios de verbas de emendas, trabalhar com relação à reforma administrativa."

Segundo dados citados durante a entrevista, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 81,9% do PIB em junho, equivalente a R$ 10,4 trilhões. O indicador considera as dívidas do governo federal, estados, municípios e Previdência Social.

Salário mínimo e Previdência

Caiado também foi questionado sobre salário mínimo e Previdência, mas não apresentou detalhes sobre mudanças específicas nas regras.

Ao falar sobre os trabalhadores que recebem o piso nacional, afirmou:

"O pobre coitado que tá ganhando um salário mínimo, vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, vamos mexer com eles não."

Sobre a Previdência, o candidato voltou a citar o ajuste das contas públicas e medidas de gestão, sem detalhar uma proposta de reforma ou alteração das regras atuais.

Cerca de 40 interrupções

A entrevista também foi marcada por sucessivas tentativas de interrupção dos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Segundo levantamento divulgado após a sabatina, foram cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupção ao longo da entrevista.

Em alguns momentos, Caiado prosseguiu com a resposta mesmo após os questionamentos dos apresentadores, principalmente durante as discussões sobre segurança pública e economia.

A sabatina foi a segunda da série da TV Globo com os candidatos à Presidência da República, após a entrevista de Romeu Zema (Novo), realizada na segunda-feira (24).

A emissora selecionou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto da Quaest divulgada em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio entre representantes dos partidos.

O próximo entrevistado é Renan Santos (Missão). Na sequência, participam da série Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).

Veja vídeo:

Relacionadas