Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
PECUÁRIA EM ALTA

Carcaça bovina ultrapassa R$ 25/kg e registra maior valor desde 2001

Os dados mostram avanço de 3,74% em relação a março e alta acumulada de 9,95% nos quatro primeiros meses deste ano, reforçando o cenário de pressão sobre o mercado da proteína bovina.

agro/ carne

O mercado da carne bovina voltou a registrar forte valorização no Brasil e atingiu, em abril, o maior preço da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada em 2001. O valor médio da carcaça casada do boi chegou a R$ 25,23 por quilo no mês passado, considerando os números corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI de março de 2026.

Os dados mostram avanço de 3,74% em relação a março e alta acumulada de 9,95% nos quatro primeiros meses deste ano, reforçando o cenário de pressão sobre o mercado da proteína bovina.

Segundo pesquisadores do Cepea, a disparada nos preços está diretamente ligada à oferta restrita de animais prontos para abate e ao forte ritmo das exportações brasileiras, especialmente para o mercado chinês, que segue como principal destino da carne bovina nacional.

Entre os cortes da carcaça, o dianteiro apresentou uma das maiores altas em abril, com valorização de 5% e média de R$ 22,55 por quilo. Já a ponta de agulha teve aumento ainda mais expressivo, de 6,9%, alcançando média de R$ 21,12 por quilo. O traseiro também subiu, mas em ritmo mais moderado, com avanço de 3,8%.

O Cepea aponta ainda que houve repasse direto da valorização do boi gordo para os preços da carne no atacado. O cenário ocorre em meio ao período de entressafra pecuária, quando tradicionalmente diminui a disponibilidade de animais terminados para abate.

Além da oferta limitada, o setor acompanha com atenção o comportamento da demanda internacional nos próximos meses. A expectativa é que o desempenho das exportações continue sendo fator decisivo para manutenção dos preços em patamares elevados.

Pesquisadores avaliam que a relação de troca no campo e os custos de reposição do rebanho também devem influenciar o mercado ao longo de 2026. Apesar da possibilidade de ajustes pontuais no curto prazo, a tendência ainda é de sustentação dos preços diante da combinação entre consumo externo aquecido e disponibilidade restrita de animais.

Mato Grosso, maior produtor de gado bovino do país, acompanha diretamente os impactos da valorização. O estado concentra um dos maiores rebanhos do Brasil e possui forte participação nas exportações de carne bovina para mercados internacionais.

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