Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
DUPLO HOMICÍDIO

Carlinhos Bezerra diz que agiu em legítima defesa, nega perseguição e afirma que se arrepende

carlinhos bezerra

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, afirmou nesta sexta-feira (31), durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, que agiu em legítima defesa ao matar a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian César Moreno, em janeiro de 2023, em Cuiabá. Réu confesso pelo duplo homicídio, ele também declarou que se arrepende diariamente do crime e classificou o episódio como "a pior decisão" de sua vida.

Durante cerca de duas horas de interrogatório, Carlinhos respondeu a perguntas da defesa, do Ministério Público e da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. O empresário negou que perseguisse a ex-companheira, contestou parte das conclusões da investigação da Polícia Civil e apresentou, pela primeira vez em juízo, a versão de que atirou para se defender de uma suposta agressão praticada por Willian.

Segundo o réu, ele encontrou o casal em frente ao edifício onde mora a mãe de Thays e decidiu parar o carro para conversar com a ex-companheira, na tentativa de entender os motivos do fim do relacionamento.

"Na hora em que ele veio para a minha direção e me xingou de 'corno babaca', eu perdi o controle", afirmou.

Carlinhos alegou que Willian caminhou em direção ao veículo e que temeu ser imobilizado.

"Se ele me pegasse em um mata-leão, para mim já era", declarou.

O empresário disse que efetuou o primeiro disparo contra Willian e que, após isso, sofreu um "apagão", afirmando não se lembrar dos demais tiros.

Questionado pelo Ministério Público sobre o fato de essa versão nunca ter sido apresentada durante a investigação, respondeu que havia contado o episódio ao antigo advogado, mas que, após a prisão, estava emocionalmente abalado e mal conseguia falar.

Arrependimento

Durante o depoimento, Carlinhos reconheceu o crime e afirmou conviver diariamente com o arrependimento.

"Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias", disse.

Em outro momento, voltou a lamentar o assassinato de Thays.

"Não há um único dia em que eu não me arrependa de ter tirado a vida dela e da relação que ela tinha com a filha", afirmou.

Relacionamento e término

O empresário descreveu o relacionamento de três anos e sete meses com Thays como "muito bom", embora marcado por constantes términos e reconciliações. Segundo ele, os dois planejavam se casar e chegaram a conversar sobre a possibilidade de registrar a filha da então companheira.

De acordo com seu relato, o relacionamento terminou definitivamente após desentendimentos ocorridos durante as festas de fim de ano de 2022. Mesmo assim, ele disse que acreditava em uma reconciliação.

"Ainda tinha esperança de que ela se acalmasse e nós reatássemos", declarou.

Monitoramento da ex

Durante o interrogatório, Carlinhos negou que monitorasse ou perseguisse Thays, apesar das provas apresentadas pela investigação da Polícia Civil, que apontam um acompanhamento detalhado da rotina da vítima.

Segundo o empresário, as anotações encontradas em sua residência eram apenas registros pessoais.

"Antes da Covid eu tinha memória fotográfica. Depois perdi essa capacidade e passei a anotar tudo", justificou.

Ele afirmou ainda que sabia onde Thays estava porque ambos mantinham o compartilhamento da localização dos celulares e negou ter instalado qualquer equipamento de rastreamento.

Também rebateu a acusação de perseguição por meio de ligações insistentes.

"Eu não gosto de escrever. Eu gosto de falar", disse.

Fuga para Campo Verde

Carlinhos também explicou por que deixou Cuiabá após o crime e foi encontrado horas depois em uma fazenda da família, em Campo Verde.

Segundo ele, nunca teve intenção de fugir.

"Em momento algum pensei em fugir. Eu precisava racionalizar o que tinha acontecido. Minha intenção era tomar um copo d'água e depois me apresentar", afirmou.

O Ministério Público contestou a versão apresentada pelo réu, destacando que a alegação de legítima defesa nunca havia sido mencionada durante a investigação e sustentando que as provas produzidas pela Polícia Civil demonstram um histórico de perseguição contra Thays Machado.

O crime

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos responde pelo assassinato de Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30 anos.

O crime ocorreu na tarde de 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. Imagens de câmeras de segurança mostram o empresário chegando de carro, dando marcha à ré para se aproximar das vítimas e efetuando diversos disparos.

Conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros, enquanto Willian foi baleado no braço e no peito. Os dois morreram ainda no local.

Após o crime, Carlinhos fugiu e foi preso horas depois em uma propriedade da família, no município de Campo Verde.

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