O ex-dirigente do PRD em Mato Grosso, Mauro Carvalho, afirmou ter sido pego de surpresa com a decisão que o retirou da condução do partido no Estado. A declaração foi feita na tarde de segunda-feira (30), durante conversa com jornalistas, horas após a mudança no comando da sigla.
Carvalho disse que soube do fato pelo secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, na manhã de segunda-feira (30). Ele cobrou respeito do presidente nacional do PRD, Ovasco Resende.
“Eu fui avisado dessa negociata da velha política que aconteceu com o PRD em Brasília pelo secretário Gilberto Figueiredo (UB). Foi uma falta de respeito e consideração pelo trabalho que fizemos ao longo de dois anos no PRD, no Estado do Mato Grosso”, disse.
O ex-dirigente destacou que participou diretamente da articulação da legenda em Mato Grosso, incluindo a formação de chapas e a condução de filiações. Sem citar nomes diretamente, ele criticou movimentações internas que, segundo afirmou, teriam sido baseadas em informações distorcidas e conflitos políticos.
Carvalho disse ainda que após ser avisado por Gilberto, conversou com Ovasco, que deu a ele uma "desculpa não convincente".
“Uma desculpa esfarrapada que foi dada pelo presidente do PRD, Ovasco Resende. Eu liguei para Ovasco, que ficou inventando várias histórias. Inclusive o fato do PRD não estar montando uma chapa de federal. E a chapa de federal estava praticamente pronta, até porque as filiações terminam dia 4 de abril e a convenção é em julho”, afirmou.
Nos bastidores
Nos bastidores circula que a destituição de Carvalho teria sido provocada por articulações do PL, ou seja, ligadas diretamente ao senador e pré-candidato ao Governo do Estado, Wellington Fagundes. Ao ser questionado sobre os rumores, Carvalho disse que evitou atribuir responsabilidade direta e afirmou que só irá se manifestar de forma mais contundente caso o PRD venha, futuramente, a se alinhar politicamente ao parlamentar.
Carvalho ainda foi enfático ao citar que a decisão do partido não altera o planejamento d e seu grupo político que deve apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta na disputa ao Governo de Mato Grosso, nem a candidatura de Mauro Mendes ao Senado.
“Vejo isso como um momento de separar o joio do trigo. Ainda bem que ocorreu agora. Seria mais grave se acontecesse durante o processo eleitoral”, afirmou.
O ex-dirigente ainda indicou um possível esvaziamento da federação PRD/Solidariedade em Mato Grosso. De acordo com ele, a maior parte dos pré-candidatos deve deixar a legenda e migrar para o União Brasil, incluindo nomes como os deputados estaduais Paulo Araújo e Juca do Guaraná.
Carvalho afirmou que também deixará o partido e, por ora, permanecerá sem filiação partidária.
Nos bastidores, a mudança no comando do PRD é vista como parte de uma reconfiguração política no Estado, com impacto direto nas articulações para as eleições. A troca inesperada acirra disputas internas e pode influenciar a formação de alianças nos próximos meses.
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