Cattani critica fim da escala 6x1 e diz que proposta “quebra o Brasil”; veja vídeo

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) se posicionou contra a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil, atualmente em debate no Congresso Nacional. Em entrevista, o parlamentar afirmou ser “radicalmente contra” qualquer tipo de mudança na jornada de trabalho.
“Eu sou totalmente contra qualquer tipo de escala, seja 6x1, 3x2, 20x5. Eu sou totalmente contra. O cidadão tem que ter o direito de fazer um contrato de trabalho, de trabalhar quanto mais ele puder para poder ter mais renda e mais dignidade”, declarou.
A discussão ocorre no âmbito de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2024. O texto propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com limite de oito horas diárias, além da mudança no regime de trabalho, com dois dias de descanso remunerado.
Além da PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou recentemente um projeto de lei com urgência constitucional, o que acelera a análise da proposta no Congresso.
Cattani criticou a possibilidade de redução da carga horária com manutenção dos salários e afirmou que a medida representa interferência na relação entre empregador e trabalhador.
“Qualquer tipo de imposição, porque a escala não é uma questão de liberdade, é uma questão de obrigatoriedade”, disse.
O deputado também avaliou que a proposta pode trazer impactos negativos para o setor produtivo.
“Isso quebra qualquer instituição, qualquer empresa, porque a única finalidade da empresa é dar lucro, senão ela não existe. Essa é a finalidade da empresa”, afirmou.
Dados da Agência Brasil indicam que cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham atualmente na escala 6x1, com apenas um dia de descanso semanal. Entre eles, estão aproximadamente 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas.
O levantamento aponta ainda que 26,3 milhões de trabalhadores com carteira assinada não recebem horas extras, o que sugere jornadas superiores ao previsto em lei. Em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho.
A proposta de redução da jornada acompanha uma tendência internacional. Países como Chile e Colômbia já aprovaram mudanças semelhantes, enquanto na Europa a jornada de até 40 horas semanais é predominante.
O tema divide opiniões entre governo e oposição e segue em debate no Congresso Nacional.
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