Cidinho sai em defesa de Mauro e acusa Wellington de “oportunismo” em debate sobre MT-170

O debate político em torno das condições da MT-170, antiga BR-174, ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (27) após o ex-senador Cidinho Santos (PP) sair em defesa do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e acusar o senador Wellington Fagundes (PL) de agir com “oportunismo” ao criticar a estadualização da rodovia no noroeste de Mato Grosso.
A troca de declarações ocorre em meio ao desgaste provocado pelos problemas registrados em trechos recém-pavimentados da estrada, que liga municípios importantes da região, como Juína, Castanheira, Juruena, Aripuanã e Colniza. Nos últimos dias, o tema se transformou em novo foco da disputa política entre aliados do grupo governista e adversários de Mauro Mendes de olho nas eleições de 2026.
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Ao comentar as críticas feitas por Wellington durante audiência no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Cidinho afirmou que, apesar dos problemas enfrentados atualmente na via, a estadualização representou um avanço histórico para uma região que passou décadas convivendo com isolamento e dificuldades de trafegabilidade.
“É muito oportunismo. A gente tem que ter uma certa coerência. O pessoal sofreu muitos e muitos anos nessa rodovia”, afirmou.
O ex-senador reconheceu que existem falhas em trechos da obra, mas atribuiu os problemas às construtoras responsáveis e ao intenso fluxo de veículos pesados na região.
“Agora temos um problema, que é a questão das construtoras, que enfrentam dificuldades. Há também um tráfego muito pesado, com muitos caminhões circulando acima do peso”, completou.
A declaração foi dada após Mauro Mendes reagir duramente às críticas de Wellington Fagundes. O ex-governador chegou a chamar o senador de “cara de pau” ao rebater questionamentos sobre a decisão do Governo do Estado de reassumir a rodovia em 2022.
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Wellington sustenta que a federalização da antiga BR-174, articulada por ele junto ao Governo Federal em 2008, havia sido uma conquista importante para garantir investimentos federais na região. Para o senador, a decisão do Estado de assumir novamente a estrada foi equivocada.
Já Mauro Mendes argumenta que, durante os anos em que a rodovia permaneceu sob responsabilidade federal, a população enfrentou abandono e longos períodos de atoleiros, dificultando o deslocamento de moradores, produtores rurais e transportadores.
“Durante esses 14 anos, o que aconteceu na prática com esta BR-174 foi um total abandono: atoleiro, desespero das pessoas, que chegavam a demorar vários dias, 10 horas, 11 horas para atravessar essa estrada em péssimas condições”, declarou Mauro em vídeo divulgado nas redes sociais.
Cidinho também afirmou que os problemas identificados atualmente na MT-170 são pontuais e deverão ser corrigidos pelas empresas executoras das obras, lembrando que os contratos possuem garantia de cinco anos.
“É um problema localizado. A construtora tem que resolver, porque existe um prazo de cinco anos de garantia da obra. Quando você age de forma oportunista, corre o risco de receber a resposta que o senador Wellington recebeu do ex-governador Mauro Mendes, que não ficou satisfeito”, disse.
O embate em torno da rodovia também reacendeu antigos conflitos políticos envolvendo a infraestrutura da região noroeste do Estado. Recentemente, o ex-governador Pedro Taques também ironizou Mauro Mendes após o Tribunal de Contas anunciar vistoria técnica na MT-170, ampliando a pressão sobre o governo estadual diante das críticas às condições do pavimento.
Mesmo com os problemas registrados em alguns trechos, aliados de Mauro Mendes defendem que a estadualização permitiu acelerar obras aguardadas há décadas pela população da região. Já opositores argumentam que as falhas estruturais e os gastos com a recuperação da estrada precisam ser investigados pelos órgãos de controle.
A discussão sobre a MT-170 passou a ocupar espaço central no debate político mato-grossense e deve continuar sendo explorada nos próximos meses, especialmente diante do avanço das articulações para as eleições de 2026.
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